30% dos detidos por terrorismo no Afeganistão terá sido torturado

3 de fev. de 2021, 12:20 — Lusa/AO online

“A percentagem de acusações credíveis de incidentes de tortura e maus tratos cometidos pelas forças de segurança afegãs (ANDSF) é de 30,3%”, refere a ONU num novo relatório que engloba o período de janeiro de 2019 a março de 2020.Trata-se de uma descida ligeira em relação aos 31,9% registados no anterior relatório sobre a tortura em 2017-2018.“A tortura não pode ser justificada, em nenhum caso, deixa consequências duradouras nas vítimas, famílias e sociedade”, declarou Deborah Lyons, representante do secretário-geral da ONU para o Afeganistão, citada pela agência noticiosa espanhola EFE.A responsável reconheceu, no entanto, os esforços do governo afegão para acabar com essas práticas. Os relatos de tortura sob custódia da polícia passaram de 31,2% no anterior relatório para 27,2%, por exemplo.Por outro lado, os detidos raramente são informados dos seus direitos e também não têm acesso a um advogado.O relatório tem por base entrevistas com 656 detidos, incluindo seis mulheres, três raparigas e 82 rapazes, em 63 centros de detenção em todo o país.A UNAMA apela ao governo afegão para criar um mecanismo nacional de prevenção da tortura com autoridade para inspecionar centros de detenção, assim como investigar e recomendar ações legais contra os autores dos suplícios.