21º Angrajazz apresentado mais cedo para integrar revistas internacionais e captar novos públicos
12 de mar. de 2019, 21:03
— Tatiana Ourique / AO Online
Saiu para a rua mais cedo do que
todas as edições anteriores e os bilhetes estão à venda a partir desta quarta
feira, 13 de março. O 21º Angrajazz tem um orçamento de 115.000€.
José Ribeiro Pinto, da Associação
Cultural Angrajazz, está na organização desde a primeira edição e acredita que a
experiência e coesão da direção são a chave para o sucesso que o Angrajazz tem
tido ao longo dos anos. Quanto ao cartaz, o José Ribeiro Pinto garante que
inovação é palavra de ordem a cada edição: “todos os anos procuramos trazer
nomes novos, pelo que, por aí, são todos novidade. Até a própria Orquestra
Angrajazz procura inovar todos os anos.”
Depois de 2 edições com mais um
dia, o festival regressa em 2019 ao formato de 3 dias: “em 2017, por uma
questão de calendário e de oportunidade, fizemos 4 dias de Festival com 7
concertos, o ano passado, por ser a 20.ª edição repetimos o figurino. Este ano
voltamos ao esquema das três noites com concertos duplos, que é por enquanto o
mais natural.”
Este ano o Angrajazz foi
apresentado alguns meses mais cedo para integrar a BTL e revistas
internacionais: “era sempre apresentado em julho (no ano passado já foi em
junho). Isto prende-se com a necessidade que sentimos que o cartaz do Festival
devia ser apresentado na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa e nas edições de maio
das grandes revistas intenacionais (americana DOWNBEAT, francesa JAZZ MAGAZINE,
alemã JAZZTHETIK). Só assim poderemos cativar mais público de fora da região e
do país para virem no início de autubro à Terceira assistir ao festival.”
Para o apresentador do programa
“Os Sabores do Jazz” da Antena 1 Açores, o intuito do cartaz é manter o alto
nível alcançado nas edições anteriores: “Trazemos a nossa orquestra com um
grande convidado (Carlos Azevedo); teremos um dos maiores músicos nacionais com
um grande projeto vencedor (AXES); como procuramos sempre fazer, teremos um
grupo europeu, desta feita, francês, o do enorme Émile Parisien, certamente um
dos melhores saxofonistas na Europa com o projeto Sfumato altamente premiado e
com um convidado (Michel Portal) que é um histórico do jazz mundial. E três
grupos americanos espetaculares”.
Apesar da máquina estar oleada,
todos os anos a maior dificuldade é a incerteza do valor do apoio das entidades
públicas. “Neste momento sabemos mais ou menos garantidamente quanto dará a
Direção Regional da Cultura, mas não sabemos quanto dará a Direção Regional do
Turismo, apesar de acreditarmos que algum apoio deverá chegar”.
Apesar da incerteza, a
contratação precoce dos músicos e marcações de viagens leva a uma melhor gestão
de agendas e melhores preços, mas “não há bela sem senão”: “corremos o risco dos
valores dos apoios serem inferiores ao esperado mas, ou avançamos cedo e
promovemos mais eficazmente o festival, ou promovemo-lo tardiamente e, por isso,
com muito menores resultados. Pensamos que um evento como o nosso, na sua 21.ª
edição, com provas mais que dadas, não pode estar sujeito às regras normais das
candidaturas para os apoios públicos anuais. O Governo Regional, se assim o
achar, devia considerá-lo de utilidade pública regional e fixar antecipadamente
o montante anual do apoio a conceder”.
A cultura do Jazz trazida pelos americanos ajudou a divulgar
José Ribeiro Pinto garante que o
Angrajazz já faz parte do calendário anual dos terceirenses e admite que esse
caminho foi facilitado pela introdução do Jazz pelos americanos: “na ilha
Terceira há um gosto antigo pelo jazz que veio do início da presença americana
nas Lajes. Mais recentemente, na segunda metade da década de 80 do século
passado, a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo promoveu uma série de
concertos de jazz. O grande evento “Jazz – Sons de uma longa história” em 1993
na Praia da Vitória foi outro grande passo… O programa “Os Sabores do Jazz”na
RDP – Açores desde fevereiro de 1992 tem dado a sua ajudar. Assim, em 1999,
quando acontece o primeiro Angrajazz, já havia muita gente à sua espera. Como, desde o seu início, o Angrajazz
sempre foi de enorme qualidade, quer artística, quer organizacional, os locais
sempre o aceitaram, respeitaram, apreciaram e apoiaram. O Angrajazz faz parte
do seu calendário anual.”
A Chave do sucesso está também no
rigor: “temos uma direção forte, coesa e rigorosa que se vai mantendo quase
fixa ao longo dos anos (3 elementos estão desde o início e nestes 21 anos
tivemos só mais 6 pessoas). Esta estabilidade garante a coesão, aquisição de
experiência e confiança dos vários agentes que interagem connosco - entidades
oficiais, agentes musicais internacionais e fornecedores. Uma das questões mais
importantes é o rigor em todos os aspetos e desde logo o financeiro. Não pode
haver facilitismo em nada. O “já agora…” é proibido para nós.”
O bom acolhimento da comunicação
social também contribui para o sucesso ano após ano, garante o responsável que
admite sonhar “que a cidade e a ilha (as pessoas e os comerciantes, bares,
restaurantes etc.) se envolvessem mais no festival e tirassem mais partido. Aí
as Câmara Municipais e a Câmara do Comércio poderão ter um papel importante”, admitindo,
também, que a pequena organização já cumpre o seu papel e que essa envolvência
social deverá estar a cargo de outras entidades. Ribeiro Pinto acredita, ainda,
que o próximo desafio é que o Angrajazz seja um maior cartaz turístico
internacionalmente uma vez que o reconhecimento local e nacional já é uma
realidade.
O radialista garante que a vinda
dos músicos é meramente profissional mas que “depois de cá estarem ficam
encantados com a ilha, a recetividade quer da nossa organização quer depois do
público e sonham em voltar por mais tempo”.
Mas em 21 anos de festival há
sempre situações caricatas que Ribeiro Pinto revelou ao Açoriano Oriental: “um
músico que se recusou a dormir no hotel oficial do festival, porque na mesma
altura estava cá um músico de outro grupo, igualmente americano, que não queria
nem sequer ver; mulher de um músico que não queria que o marido estivesse perto
de fumadores e obrigou-nos a mudar de mesa da esplanada do restaurante para uma
sala no interior que era afinal destinada a …fumadores”.
Entre os momentos mais especiais
da vida do Angrajazz, a estreia foi, o mais marcante: “aquele cartaz que
julgávamos que nunca seria possível fazer, o concerto de Frank Morgan na
segunda edição, considerado o melhor concerto de bebop realizado em Portugal
nos últimos anos, vinda da Preservation Hall Jazz Band de New Orleans no ano em
que aconteceu o furacão Katrina que lhes tinha devastado a cidade, o fantástico
concerto de Charles Lloyd, a vinda do Transatlantik Quartet para um único
concerto em Portugal, considerado por alguns o acontecimento de jazz do ano no
nosso país, os espan concertos dos grupos de Kurt Elling, Jack DeJohnette, Jason
Moran, Cécila McLorin Salvant, Jon Irabagon, Darcy James Argue’s Secret
Sociaty, as vindas de Herbie Hancock, Dave Holland, Carla Bley, Shirley Jordan,
Barry Harris, Gregory Porter, Toots Thieleman, John Scofield, Steve Swallow,
Christian McBride, e tantos outros….. Gary Smulyan, o melhor saxofonista
barítono do mundo a meio do concerto dizer que tinha comido uns animais
maravilhosos chamados cracas e lapas e que por isso durante a tarde no hotel
tinha composto o um tema a que chamou “Cracas & Lapas Blues” que ia tocar
de seguida”.
O Angrajazz acontece em outubro e os bilhetes já estão à venda no Centro
Cultural e de Congressos de Angra, no Ticket Line, no site da Câmara de Angra e
em “angrajazz.com”. Os bilhetes variam entre os 25 e os 50 euros.