2026 traz aumento de preços na alimentação, nas rendas e nas telecomunicações
Hoje 09:00
— Ana Carvalho Melo
O novo ano começa com uma atualização generalizada de preços: as rendas das habitações vão subir 2,24%, os serviços de telecomunicações e os alimentos como carne e peixe deverão encarecer. Apesar disso, o preço dos medicamentos até 30 euros deverá manter-se estável, enquanto o salário mínimo e as pensões terão novos aumentos.Na alimentação, a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) estima aumentos de cerca de 7% nos preços da carne e do peixe no próximo ano. Em declarações à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, o presidente da APED, Gonçalo Lobo Xavier, considerou “inevitável” que os alimentos continuem a encarecer.O pão e os produtos de pastelaria também deverão registar um “ligeiro aumento” de preços, influenciados pelos custos laborais resultantes da subida do Salário Mínimo Nacional (SMN) e pelos aumentos nos preços de ovos, frutos secos e cartão.Já as rendas, de acordo com o aviso do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativo ao coeficiente de atualização, o valor das habitações vai aumentar 2,24% em 2026. Na prática, o acréscimo representa 2,24 euros por cada 100 euros de renda, o que significa que quem paga uma renda mensal de 1 000 euros passará a desembolsar mais 22,40 euros no próximo ano.Também o valor médio da construção por metro quadrado, relevante para o cálculo do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), vai subir 38 euros , de 532 para 570 euros, segundo uma portaria publicada em Diário da República. O novo montante apenas se aplicará a construções novas, imóveis reconstruídos ou alvo de alteração e a casos de nova avaliação fiscal. É a primeira atualização desde 2023.No setor das telecomunicações, a NOS confirmou que irá atualizar os preços em 2026 em linha com a taxa de inflação prevista. A Meo também vai proceder a aumentos, excetuando os serviços das marcas Uzo e Moche, direcionados aos segmentos digital e jovem.A Vodafone Portugal aplicará as novas tarifas a partir de 9 de janeiro, “até ao valor máximo da taxa de inflação prevista para 2025”. As atualizações não se aplicam a contratos ou renovações feitos a partir de 11 de novembro, nos tarifários pré-pagos e nos planos mais recentes . Nas novas adesões, refidelizações e upgrades empresariais, o aumento só será aplicado após seis meses, ou seja, a partir de 8 de julho de 2026.Também os CTT vão atualizar os preços no próximo ano. As tarifas dos serviços postais que integram o serviço universal sobem, em média, 6,2%, com o correio normal nacional até 20 gramas a custar mais quatro cêntimos. As novas tabelas entram em vigor a 2 de fevereiro.Já os combustíveis, cujo preço é atualizado no início de cada mês, vão hoje ver os seus valores alterados, com o preço do gasóleo a aumentar 2,5 cêntimos por litro, enquanto a gasolina e o gás butano registam uma descida de 0,2 cêntimos.No entanto na saúde, os preços dos medicamentos até 30 euros, como antibióticos, analgésicos e antidiabéticos, deverão manter-se inalterados em 2026, pelo que a “conta da farmácia” não deverá sofrer alterações.A chegada do novo ano traz ainda aumentos no Salário Mínimo Nacional (SMN), assim como na maioria das pensões.O salário mínimo nos Açores passará a ser de 966 euros. Já as pensões até 1 074,26 euros, onde se situa a grande maioria dos pensionistas, vão subir 2,80% no próximo ano. No mínimo, estas pensões terão de ter um aumento de 9,29 euros (para pensões entre 331,79 euros e 1 074,26 euros).Também o Complemento Solidário para Idosos (CSI) vai aumentar 6,24% a partir de hoje. Têm direito a este complemento os titulares de pensões de velhice e de sobrevivência, ou equiparadas, de qualquer sistema de proteção social nacional ou estrangeiro que residam legalmente em território nacional e satisfaçam as condições previstas na lei. Têm igualmente direito ao CSI os cidadãos nacionais que não reúnam as condições de atribuição da pensão social por não preencherem a condição de recursos e os titulares de subsídio mensal vitalício.