100 anos de “muitos sacrifícios”, perseguições e torturas a não esquecer
Avante!
4 de set. de 2021, 19:38
— Lusa /AO Online
Junto ao pavilhão central do recinto do certame anual comunista, uma fila de visitantes aguarda a sua entrada na exposição sobre o centenário do PCP e nem o sol abrasador os demove, de crianças a idosos.À entrada do espaço está Bruno Dias, deputado na Assembleia da República, que cumpre o seu turno de trabalho controlando o número de pessoas que entram no espaço, de forma a manter-se o distanciamento. Daqui a umas horas, é outro deputado comunista, Duarte Alves, que estará no seu lugar, e Bruno Dias rumará até à banca de Setúbal, para ajudar a fazer a massada de peixe para o jantar até às 21:00.A abrir a exposição, um cartaz recorda o visitante de que o Partido Comunista Português foi fundado a 06 de março de 1921, momento que “resultou de uma necessidade objetiva em consequência do desenvolvimento do proletariado português, do amadurecimento da sua experiência e consciência social e política e da sua luta, sendo expressão da projeção da Revolução de Outubro de 1917”.Durante a tarde, Jerónimo de Sousa, secretário-geral dos comunistas, também visitou esta exposição.“Um partido que rapidamente teve que passar à clandestinidade tendo em conta o golpe militar que conduziu a uma ditadura, um processo de resistência ímpar da parte do PCP ao longo de 48 anos demonstrando aos trabalhadores, ao nosso povo, a necessidade de um país em que prevalecesse a liberdade, a existência de direitos, particularmente para quem trabalha e naturalmente as paginas mais gloriosas aqui do nosso partido têm a ver com a Revolução de Abril”, descreveu, em declarações aos jornalistas.O líder comunista lembrou que foram 100 anos “de muitos sacrifícios, de perseguições, de tortura e às vezes até morte, mas simultaneamente também 100 anos de luta, de transformação, de conquistas, de avanços e derrotas, naturalmente”.“Mas até aos dias de hoje aqui está este PCP, honrando o seu passado, honrando a sua história mas em direção ao futuro”, vincou.O trajeto guia o visitante por uma história contada por ordem cronológica e, entre indicações escritas, também se encontram objetos com história, pertencentes a antigos presos políticos - como é o caso das tairocas feitas e utilizadas por Álvaro Cunhal na Fortaleza de Peniche ou até mesmo os seus púcaros de alumínio, indica a exposição.Por entre corredores que lembram os tempos de clandestinidade dos comunistas, chega-se ao espaço evocativo da Revolução dos Cravos que, descreve o partido, “abriu amplas possibilidades para a atividade internacional do PCP e a solidariedade recíproca com partidos e povos em luta”.Já na reta final da exposição, o PCP faz menção a algumas causas mais atuais, entre elas, as condições laborais em período de pandemia: numa secretária vemos um manequim, com ar taciturno e roupas largas, acorrentado a um computador onde se lê “em teletrabalho”. Atrás, o PCP escreve que “não tem que ser assim”.À saída, entre fotografias de membros da Juventude Comunista, o PCP vinca que “o Futuro tem Partido”, mesmo passados 100 anos.A edição deste ano da Festa do Avante decorre até domingo na Quinta da Atalaia, no Seixal (distrito de Setúbal). Mais de 60 debates e o comício pelas 18:00 de domingo compõem o programa político da rentrée comunista, enquanto os “duetos improváveis” preenchem as atuações musicais.O tradicional certame político-cultural recebe este ano mais 23 mil visitantes do que em 2020, ainda com limitações devido à pandemia da covid-19, e será o ponto alto das comemorações do centenário do PCP.