1.865 mortos este ano a tentar chegar a Espanha em 'pateras'
Migrações
17 de jun. de 2025, 17:21
— Lusa/AO Online
A
maioria destas 1.865 vítimas - oriundas de 22 países - morreu na
designada "rota atlântica", que tem como destino as ilhas Canárias,
revelou a ONG no estudo publicado.Nesta
"rota atlântica", que "continua a ser a mais mortífera", morreram 1.482
pessoas entre janeiro e maio, que iam a bordo de embarcações que
saíram, sobretudo, da Mauritânia, mas também do Senegal, Gâmbia e
Marrocos, na costa ocidental africana. Segundo
os mesmos dados, houve já este ano, no total, no mediterrâneo e no
atlântico, "113 tragédias" com estas embarcações, conhecidas em Espanha
como 'pateras' ou 'cayucos', e dos 1.865 mortos, 342 são menores de
idade e 112 são mulheres.No caso de 38
embarcações, desapareceram no mar todas as pessoas que iam a bordo e a
maior parte das mortes ocorreu em janeiro (767) e fevereiro (618).As
vítimas eram pessoas oriundas de 22 países diferentes e não apenas
africanos, com migrantes do Afeganistão, Paquistão, Sìria ou Bangladesh
identificados pela ONG."Na Caminando
Fronteras insistimos em que estas mortes são evitáveis: são o resultado
de decisões políticas, de omissões calculadas e de uma arquitetura
fronteiriça que normaliza a morte como parte dos sistemas de controlo",
lê-se no relatório do estudo da ONG, que identifica casos de ativação
tardia de socorro a embarcações precárias e inexistência de protocolos
conjuntos entre países para estas situações ou colaboração internacional
frágil.A Caminando Fronteras elabora
anualmente dois relatórios sobre os migrantes que morrem no mar a tentar
chegar a Espanha, com base em dados oficiais e de associações de
comunidades migrantes, assim como testemunhos e denúncias tanto das
comunidades como de famílias de desaparecidos, seguindo metodologias
usadas pelas ONG para contabilizar vítimas em diversos pontos do mundo,
como acontece na fronteira entre o México e os Estados Unidos.Espanha
aproximou-se em 2024 do número recorde de chegadas irregulares de
migrantes que o país atingiu há seis anos, com 63.970 entradas, um
aumento de 12,5% face a 2023, segundo o Ministério da Administração
Interna espanhol.Em 2018, o país atingiu um máximo histórico de entradas irregulares: 64.298.No
ano passado, a maior parte das entradas foi feita por via marítima e
dessas, a grande maioria, 73% do total, foi feita pela rota das Ilhas
Canárias, através da qual cerca de 46.843 pessoas tentaram alcançar
território espanhol, mais 17% do que no ano anterior.Segundo
dados oficiais, o número de chegadas de migrantes este ano às Canárias
diminuiu 35% comparando com os mesmos meses de 2024.O
governo regional das Canárias tem apelado à ajuda europeia e à
solidariedade das restantes regiões autónomas espanholas para responder à
chegada de migrantes às ilhas sobretudo para o acolhimento de milhares
de menores de idade que chegam às sozinhos, não acompanhados por um
adulto.