Zezé Silva: Acólito na missa e capinha na tourada

Zezé Silva: Acólito na missa e capinha na tourada

 

Ao online   Regional   23 de Set de 2018, 20:00

Chama-se José Fernando Parreira Silva mas é conhecido por Zezé. Nasceu a 18 de dezembro de 1999 e podemos encontrá-lo a trabalhar em restauração numa unidade hoteleira da ilha Terceira. Ou na missa. Ou numa tourada à corda.

Zezé Silva divide o seu tempo entre o trabalho no hotel, as paróquias de Agualva e Fontinhas na Terceira e as muitas touradas à corda que acontecem diariamente de maio a outubro na ilha.

É um dos 7 filhos de uma família humilde e foi, desde cedo, um jovem envolvido na comunidade.

 Começou quando tinha 13 anos. Um novo padre natural da freguesia (Júlio Rocha) tinha lançado o convite para que José integrasse o grupo de acólitos da paróquia. Logo depois integrou também o grupo de jovens de Nossa Senhora do Guadalupe. E intensificou-se o seu percurso em Igreja.

Em contexto de paróquia Zezé “É um jovem  com uma vontade enorme de viver e viver feliz. É um membro muito ativo, não só a nível do grupo de jovens bem como a nível da liturgia. Disponível e com muito sentido responsabilidade. A vida de estudante, o trabalho de estágio nunca impediram de se empenhar na vida da paróquia”, afirma o pároco Moisés Rocha que adianta ainda que o acólito “Tem grande sentido de responsabilidade, o sentido dos outros, o bom senso, a alegria , a disponibilidade para servir e a sua humildade, não só derivado do contexto familiar mas por uma postura que por si mesmo cultiva. O sentido de responsabilidade e a sua abertura com os outros fazem do José um elemento essencial no grupo dos acólitos.”

Já Liliana Feliciano é responsável pelo grupo de jovens que Zezé integra e define-o como um jovem calmo e que se mostra sempre disponível para colaborar em tudo o que lhe é solicitado.

 Mas, se a calma da espiritualidade impera nas funções de acólito ao domingo de manhã, ela é imediatamente contrastada com a grande paixão de Zezé à tarde: chamar toiros. E não, não é do palanque. É que a expressão “chamar toiros” é popularmente utilizada para o ato de fazer um passe ao toiro em contexto de tourada à corda.

Começou em 2015 e já é um dos jovens promissores capinhas da ilha Terceira. Que o diga Fábio Magalhães, seu “tutor” na arte de chamar toiros: “É muito jovem, tem muito talento e muito para aprender e progredir. É essencial que mantenha a humildade e o respeito ao animal. É que há uma altura em que ganhamos confiança a mais e é essa a fase mais perigosa desta carreira”.

Em conversa com o Açoriano Oriental Zezé lembrou o momento em que percebeu que esta era a sua maior paixão: “Começou numa brincadeira no ganadeiro Francisco Juliano quando o neto me desafiou a ir tratar dos toiros. Comecei a fazê-lo com regularidade e a perder o medo que tinha dos animais. Era ainda 2014. O primeiro passe aconteceu em Santa Luzia, na Praia da Vitória, com um toiro puro da Casa Agrícola José Albino Fernandes mas tem a certeza de que já chamou toiros na ilha inteira. Garante que apesar de ter o seu “partido” (expressão usada para identificar a ganadaria favorita) dá o seu melhor em todas as touradas a que consegue ir. 

O jovem terceirense diz que para que tudo corra bem é essencial confiar e conversar antecipadamente com os pastores que manobram o touro com a corda. Zezé contou, também, os momentos menos bons enquanto capinha: “Numa tourada na minha freguesia caí e esfolei um braço. Na Praia da Vitória caí de um muro e parti um pulso e em 2017 fui pegado na freguesia da Feteira”. É preciso frisar que nesta arte não há proteções nem defesas, o capinha enfrenta o touro de igual para igual e onde a destreza do homem é decisiva.

 O capinha diz achar muito engraçado quando está numa tourada e alguém lhe diz: “Eu conheço a tua cara não sei de onde”, ao que José responde de sorriso rasgado: “É da missa!”

Fora da ilha já chamou toiros no Pico, em São Jorge, na Graciosa, em Santa Maria e ao Canadá.

Depois de terminar o curso de restauração na Escola Profissional da Praia da Vitória Zezé conseguiu emprego imediato no Terceira Mar Hotel, o que lhe deixou menos tempo livre para a sua grande paixão que tem agora (literalmente) tatuada na pele.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.