Vendas baixam com 'atraso' do frio

Vendas baixam com 'atraso' do frio

 

Lusa/AO Online   Economia   27 de Dez de 2009, 08:18

O frio chegou este ano mais tarde, pouco antes da abrir a época de saldos. Os lojistas dizem-se prejudicados pela mudança climática e, a avaliar por inquéritos às associações de comércio, as vendas em saldo estão mesmo a baixar.

O último inquérito da União de Associações do Comércio e Serviços (UACS) aos seus associados, a que a Lusa teve acesso, revela que as vendas dos saldos do Verão passado - que decorreram entre 15 de Julho e 15 de Setembro - acusaram uma baixa em relação a 2008 para 30 por cento dos inquiridos e, destes, 67 por cento assinalou uma diminuição superior a 10 por cento.

Também nos saldos de Inverno de 2008, cerca de 60 por cento dos inquiridos (a maioria do ramo do vestuário e calçado) acusaram uma baixa de vendas em relação a 2007 e, destes, quase 70 por cento refere uma quebra maior do que 10 por cento.

Além da mudança climática, a lei que em 2007 antecipou a época de saldos de 7 de Janeiro para 28 de Dezembro é a principal razão invocada: "Se o Inverno agora se prolonga por mais tempo vai haver dificuldade. Quando formos comprar artigos para a estação de Verão é quando começam os saldos. A antecipação dos saldos foi prejudicial", afirmou à Lusa o presidente da UACS, Vasco Mello.

Outra das razões, acrescenta, são as promoções. Ao contrário dos saldos, podem ocorrer em qualquer momento que o comerciante considere oportuno, desde que não aconteçam ao mesmo tempo que uma venda de saldos.

"Agora vemos as lojas com promoções todos os dias e isso desvirtua o preço e os saldos", defendeu Vasco Mello, uma opinião partilhada pelo presidente da Confederação do Comércio Português (CPP), José António Silva.

Os saldos existem para escoar produtos de colecção, enquanto as promoções servem para aumentar as vendas e angariar clientes, lembra o presidente da CPP, comentando: "As coisas misturam-se e já não se percebe o que é o quê. O cliente já não distingue o que é uma boa oportunidade de comprar em promoção ou em saldo".

Até há bem pouco tempo, a percentagem de baixa de preços também distinguia saldos e promoções, sendo a dos saldos mais atractiva para o consumidor. Mas este ano, por exemplo, dias antes do arranque dos saldos de Inverno, a loja de roupa interior Woman Secret já anunciava nas montras uma promoção com baixas de 70 por cento.

"Ao não se distinguirem das promoções, os saldos perdem a sua eficácia. Antes esperava-se pelos saldos para comprar, mas agora as promoções são quase permanentes e desvirtuam o preço e os saldos", defendeu José António Silva.

A crise económica que o país atravessa tem potenciado a regularidade com que os lojistas fazem promoções, com o objectivo de acelerar o escoamento dos seus produtos, consideram aqueles responsáveis.

"Tudo isto traduz uma redução na margem do comerciante", defendeu Vasco Mello, lembrando que a crise foi o motivo para que 65 por cento dos comerciantes inquiridos pela UACS no ano passado revelassem expectativas pessimistas para as vendas deste ano.


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