União de Sindicatos de Angra do Heroísmo quer salário mínimo nos 850 euros até 2023

União de Sindicatos de Angra do Heroísmo quer salário mínimo nos 850 euros até 2023

 

Lusa/AO Online   Regional   29 de Abr de 2019, 12:42

O coordenador da União de Sindicados de Angra do Heroísmo (USAH) defendeu esta segunda-feira que o salário mínimo nos Açores deve atingir os 850 euros, dentro de três a quatro anos, e vai reivindicá-lo no 1.º de maio.

“Consideramos que, no imediato, o salário mínimo devia ser 650 euros na região, para trabalharmos de forma a nos próximos três ou quatro anos chegarmos àquele que é o salário que a CGTP considera justo, que são 850 euros”, afirmou o coordenador da USAH, Vítor Silva, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

A união de sindicatos, afeta à CGTP, vai assinalar o 1.º de maio em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, com um concurso de maios e ações de sensibilização sobre os direitos dos trabalhadores.

Segundo Vítor Silva, as principais reivindicações dos trabalhadores açorianos são o aumento dos salários e o combate à precariedade, que é superior na região.

“A média nacional já é extremamente elevada, mas nos Açores é ainda mais elevada. Está na ordem dos 90%. Em cada 10 contratos, apenas um não é precário”, frisou.

O fenómeno tem provocado um aumento de casos de assédio, que a união de sindicatos promete denunciar nos próximos tempos.

“Quem é precário já está numa situação extremamente difícil e é confrontado todos os dias com uma série de pressões inaceitáveis”, salientou o dirigente sindical, acrescentando que a precariedade coloca também pressões sobre quem tem um contrato efetivo.

Perante este cenário, Vítor Silva admitiu que a luta pelos direitos laborais se torna “mais difícil”, mas considerou que “a situação está a chegar a um limite que obriga a que as pessoas reajam”, esperando uma participação elevada nas comemorações do 1.º de maio.

O sindicalista considerou que o “combate sério e real da precariedade” nos setores público e privado é essencial para estagnar o despovoamento das ilhas mais pequenas.

“Não há nenhum jovem que possa construir um projeto de vida quando não sabe o que vai acontecer no dia de amanhã. Não podemos ter um tipo de trabalho à custa de programas [ocupacionais], em que a mão de obra não é compensada por aquilo que faz”, sustentou.

Além do aumento do salário mínimo, Vítor Silva alertou para a necessidade de se lutar pela progressão nas carreiras, com efeitos nos vencimentos, alegando que não há uma “valorização do trabalho e da experiência já adquirida”.

“O que nós verificamos neste momento é que num local de trabalho, todos os trabalhadores, praticamente, quando chegam ao final do mês ganham 630 euros, que é o salário mínimo. Não é tida em conta nem a experiência que o trabalhador tem, nem a qualificação, nem os anos de casa, nem o posto”, afirmou.

No Dia do Trabalhador, a União de Sindicatos de Angra do Heroísmo, que representa trabalhadores das ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa, vai reivindicar também o alargamento da aplicação de 35 horas de trabalho semanais, sem redução de salário, ao setor privado, e o fim do recurso a bancos de horas.

Por outro lado, vai manifestar-se contra a proposta de lei laboral do Governo da República, exigindo “o fim da norma da caducidade da contratação coletiva e a reintrodução do princípio de tratamento mais favorável”.


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