Um americano em busca das suas raízes na terra dos pais e dos avós


 

Carmo Rodeia   Regional   30 de Nov de 2008, 11:15

João Botelho nasceu nos Estados Unidos. Está nos Açores há cerca de uma semana, pela segunda vez. Vem sempre para Ponta Delgada, a “Nova Iorque das Ilhas”. Saíu de Cannecticut à procura de informações sobre o local onde os pais nasceram. Foi o primeiro de uma grande família a voltar
Porque é que veio aos Açores?
Estou aqui à procura das minhas raízes.O meu pai nasceu cá e eu vim perceber um pouco da sua história.
Conhece outras ilhas?
Ainda não, apenas conheço um pouco de São Miguel.
O que pensa desta ilha?
É fantástica. Há imensas coisas para descobrir, sobretudo porque considero que existem duas realidades distintas: Ponta Delgada cidade e os outros concelhos. Eu diria mesmo que se trata da Nova Iorque das ilhas. É a maior cidade e aquela que está mais desenvolvida. Isso nota-se porque se formos para a Lagoa, onde o meu pai nasceu e que é uma terra lindissima, nota-se a diferença.
Já cá esteve no ano passado. Que diferenças nota?
Imensas. A zona da Marginal está espectacular. As obras feitas na zona do porto são fantásticas.Sente-se o progresso de ano para ano. A cidade está a crescer e isso nota-se . Parece que ninguém quer ficar preso ao passado.
È fácil ser-se turista em Ponta Delgada?
É, embora a informação fornecida nem sempre seja a melhor nem do ponto de vista do conteúdo nem do ponto de vista da tradução. Há pouca coisa traduzida em inglês e o que está traduzido, não é de boa qualidade. São traduções literais que deixam muito a desejar.
Quer concretizar?
As ementas dos restaurantes.A tradução é muito má. Às vezes tenho de pedir explicações adicionais pois não se percebe que tipo de prato é que estamos a escolher.
Outro exemplo é o que está a acontecer na zona das Portas do Mar... não sei nada sobre isso. Já procurei informação e não há nada.
Escolheu um destino com base nas suas raízes. É um nicho de mercado importante a explorar?
Julgo que sim. Há que apostar neste mercado com uma campanha forte.Aqui a mensagem é o que mais funciona. No fundo é preciso despertar esse desejo de ir à procura das raízes.
Há uma ligação afectiva que o fará escolher este destino novamente...
Sem dúvida que voltarei. Aliás não sei se não escolherei viver nos Açores, na reforma, daqui a alguns anos.

Lugares fabulosos para descansar

Tranquilidade João Botelho, voluntário numa comunidade em Windsor Locks, no estado norte americano de Cannecticut, onde ensina inglês a filhos de emigrantes, considera a pacatez da ilha de São Miguel como o seu maior atributo.
Lugares como Furnas ou Nordeste “parecem que ficaram esquecidos no passado, o que é uma grande vantagem para quem procura descanso”. Penetrar numa cascata é “sublime”.

Maior profissionalismo na comunicação

Traduções “são más porque são literais”, confessa este turista que procurou os Açores, motivado por questões afectivas.
Embora perceba algumas coisas de português, “não é o suficiente” para estabelecer a comunicação. Pelo que considera ser “absolutamente essencial” o recurso à língua inglesa para que os locais possam entender-se com os turistas. “Deveriam apostar mais nestes aspecto”, diz, lamentando que não haja mais informação traduzida quer nos restaurantes quer nas grandes obras públicas. Impõe-se melhorar este aspecto.

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