Brexit

UE garante que não se impressiona com “jogo da culpa” do lado britânico

 UE garante que não se impressiona com “jogo da culpa” do lado britânico

 

Lusa/AO Online   Internacional   21 de Ago de 2018, 17:39

O negociador-chefe da União Europeia para o ‘Brexit’ garantiu que não se deixará impressionar pelo “jogo da culpa” que vê intensificar-se no Reino Unido, para responsabilizar o bloco europeu por um eventual falhanço nas negociações.

Numa conferência de imprensa conjunta com o negociador-chefe do lado britânico, Dominic Raab, em Bruxelas, Michel Barnier disse que o objetivo de ambas as partes continua a ser alcançar, em outubro, um acordo para uma saída ordenada do Reino Unido - e nesse sentido as negociações serão mesmo intensificadas -, mas apontou que, tal como do lado britânico, também a UE se prepara para um cenário de falta de acordo (“no deal”), e não se deixará impressionar pelo “jogo da culpa” que diz estar a ver ganhar cada vez mais forma no Reino Unido.

“Oiço muito o debate no Reino Unido sobre 'no deal' e, devo ser franco convosco, vejo desenvolver-se e intensificar-se este 'jogo da culpa' contra a UE em caso de falta de acordo. A UE não se deixará impressionar por esse jogo de culpabilização, é bom que todos entendam isso”, advertiu Barnier, que voltou a lembrar que o ‘Brexit’ foi uma decisão do Reino Unido, e não da União.

Também Raab, em resposta a questões dos jornalistas, admitiu que o Reino Unido se prepara igualmente para um cenário de falta de acordo, pois essa é a atitude responsável, mas, tal como Barnier, garantiu que o objetivo nas negociações ao longo das próximas semanas é chegar a um acordo sobre as modalidades de saída do Reino Unido e a futura relação com a UE.

Nesse sentido, as negociações irão intensificar-se ao nível político, paralelamente às rondas negociais técnicas que prosseguem já na quarta-feira, anunciaram os dois negociadores.

“As negociações estão a entrar agora na última etapa. Acordámos que a partir de agora a UE e o Reino Unido vão negociar de forma contínua. Eu e Dominic encontrar-nos-emos regularmente para fazer um balanço das negociações e fazê-las avançar”, apontou Barnier.

Raab precisou que subsistem diferenças em matérias como a questão da fronteira entre Irlanda e Irlanda do Norte e o próprio quadro da relação futura entre Reino Unido e UE, comentando que por isso é efetivamente “crucial” intensificar as negociações ao nível político, garantindo que se encontra com “energia e compromisso redobrado” para o fazer.

“O nosso desafio para as próximas semanas é tentar definir uma parceria ambiciosa entre UE e Reino Unido, uma parceria sem precedentes”, disse por seu turno Barnier, ressalvando que “esta parceria deve respeitar o mercado único e as fundações do projeto europeu, e se tal for bem compreendido, é possível concluir as negociações de forma bem-sucedida”.

As partes devem chegar a um acordo em outubro, de modo a que haja tempo para a ratificação do mesmo até 30 de março de 2019, a data – salientou Barnier – que a primeira-ministra britânica, Theresa May, escolheu para a concretização do ‘Brexit’.



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