Tradição do botellón provoca protestos de moradores em Barcelona

Tradição do botellón provoca protestos de moradores em Barcelona

 

Lusa / AO online   Internacional   7 de Ago de 2010, 13:25

Moradores de um bairro de Barcelona criaram uma campanha para denunciar as consequências negativas do turismo massivo que aumenta a prática do “botellón” e o ruído nas suas ruas.

“Isto é uma vergonha, está tudo cheio de garrafas, latas, sacas de lixo, e por muito que varram os varredores, não dura mais do que meia hora, e isto é o que tem que acabar”, disse, em declarações à Lusa, Maria Bassa, catalã de 77 anos, que sempre morou no bairro de Barceloneta.

Este bairro, que é o que se encontra mais perto do mar de Barcelona, enche-se durante esta temporada de turistas e imigrantes, na sua maioria jovens, que aproveitam a praia e praças do bairro para viverem o costume espanhol do “botellón” – reunião com bebidas alcoólicas em espaços públicos.

É uma prática cada vez mais alargada entre os turistas e imigrantes como uma forma de ócio económico: “Compramos as bebidas no supermercado, preparamos em casa e trazemos para a rua, porque nos bares são muito caras”, explicou Paul Francis, turista francês, que está a passar férias com os amigos em Barcelona.

A recém-criada associação de moradores da Barceloneta, que está descontente com as consequências deste fenómeno, reúne-se todas as semanas para debater os problemas de civismo e segurança que se vive no bairro.

“Não há nenhum tipo de controlo dos estabelecimentos comerciais, vendem álcool fora da hora permitida”, referiu à Lusa o porta-voz da associação de vizinhos, Fernando Prieto.

Além dos estabelecimentos comerciais, também são muitos os vendedores ambulantes oriundos de países asiáticos, que “alimentam” o fenómeno social com a venda de cervejas em lata por um euro aos turistas, promovendo assim a continuação da concentração destes grupos.

“Fazem muito barulho e deixam tudo sujo. Não pode continuar. Vamos reunir assinaturas e apresentar o nosso descontentamento”, acrescentou Fernando Prieto.

Na praça principal do bairro, um grupo de jovens portugueses está sentado em forma de círculo, a fazer “botellón”, uma atividade que consideram “uma forma de convívio e de interação social muito saudável”.

“Não tem diretamente a ver com o álcool que se consome, mas com a possibilidade de conviver tranquilamente na rua com os amigos”, comentou à Lusa, Joana Gomes, jovem natural de Lisboa que está a fazer uma viagem pela Europa.

“O problema não passa por acabar com o fenómeno, mas sim educar os cidadãos para que o fenómeno possa acontecer sem perturbar os restantes cidadãos”, considerou a propósito do descontentamento dos vizinhos do bairro.

O mesmo problema acontece em Lisboa, segundo André Coelho, também de passagem por Barcelona: “Eu vivi no Bairro Alto com os mesmos problemas. A Câmara Municipal de Lisboa tentou minimizar o problema ao encerrar mais cedo os bares e dar mais alternativas que promoveram a mobilidade”, lembrou,

“A Câmara Municipal de Barcelona poderia arranjar uma maneira de dispersar a atividade noturna tal como foi feito em Lisboa, assim há uma menor concentração de grupos e menos problemas”, concluiu.


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