Teste para detectar hipótese de vir a ter Alzheimer disponível em Portugal


 

Lusa/Ao online   Nacional   6 de Dez de 2007, 08:12

Um teste para detectar qual a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver a doença de Alzheimer está disponível no Instituto de Medicina Molecular (IMM), em Lisboa, mas apenas pessoas que reúnam um determinado conjunto de condições devem fazê-lo.
"Para realizar o teste é necessário que exista uma indicação médica nesse sentido, o que geralmente ocorre apenas com pessoas que reúnem determinadas condições, como terem mais de 60 anos ou possuírem doentes de Alzheimer na família", explicou o investigador Tiago Fleming Outeiro à agência Lusa.

    Há cinco meses no IMM, depois de concluir um pós-doutoramento em Harvard, o investigador criou uma Unidade de Neurociência Celular e Molecular, que reúne diversos especialistas dedicados à pesquisa no campo das doenças neurodegenerativas.

    Segundo Tiago Outeiro, o teste agora disponível "consiste na determinação dos níveis de 18 proteínas no plasma sanguíneo em doentes em estádios iniciais da doença", quando os sintomas ainda não se manifestaram.

    "Quando o teste dá um resultado positivo, a fiabilidade ronda os 85 por cento, pelo que a pessoa que o fez pode necessitar de acompanhamento psicológico", esclareceu Tiago Outeiro, acrescentando que entre o resultado e o surgimento dos primeiros sintomas podem passar até cinco anos.

    "Por enquanto, é difícil dizer com precisão quanto tempo decorre entre a obtenção de um resultado positivo e o desencadear da doença, sendo esse um dos aspectos que os investigadores procuram aperfeiçoar", declarou, adiantando que o objectivo dos estudos é "detectar a probabilidade de ocorrer a doença com o máximo de antecedência face ao aparecimento dos primeiros sinais".

    Todavia, e uma vez que não existe ainda cura para a doença de Alzheimer, obter um resultado positivo no teste não será apenas uma fonte escusada de angústia para quem o realizou?

    "A verdade é que, ao existir um conhecimento antecipado de que uma pessoa vai - quase garantidamente - sofrer da doença, podem-se colocar logo em curso terapias adequadas a cada caso", esclareceu o investigador do IMM.

    Uma investida precoce que pode, pelo menos, "retardar o surgimento dos sintomas da patologia", sublinhou, revelando que a equipa da Unidade de Neurociência Celular e Molecular do IMM está a trabalhar no sentido de desenvolver um teste que faculte resultados fiáveis também para o risco de incidência da doença de Parkinson.

    Tiago Outeiro declarou ainda à Lusa que não existe um preço fixo para o teste da doença de Alzheimer: "Não é possível falar em 100, 200 ou 300 euros pois o teste até pode ser feito a custo reduzido ou sem custos, se se comprovar que tem interesse para a investigação".

    Ainda segundo o investigador, o teste "pode vir a ser feito de forma mais generalizada no futuro", dependendo da evolução da pesquisa, da divulgação de informação aos médicos e de uma eventual comparticipação do Serviço Nacional de Saúde.

    Doutorado em Ciências Biomédicas no Instituto Tecnológico de Massachusetts, nos Estados Unidos, Tiago Fleming Outeiro publicou a 22 de Junho um estudo sobre a doença de Parkinson na revista Science.

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