Tem sido feito "muito pouco" na prevenção de incêndios

Tem sido feito "muito pouco" na prevenção  de incêndios

 

Lusa/AO Online   Nacional   7 de Ago de 2010, 08:29

A Liga para a Proteção da Natureza (LPN) considera que se “tem feito muito pouco” na prevenção dos incêndios florestais e critica o atraso no início do processo de cadastro das propriedades.

“Deve-se encarar a questão dos incêndios a sério. É preciso ter a coragem para avançar com medidas que não têm sido postas em prática”, disse à agência Lusa Joaquim Sande Silva, da LPN.

Segundo o ambientalista, “pouco tem sido feito para impedir que as pessoas continuem a fazer asneiras durante o verão”, daí o elevado número de ignições nos últimos dias.

“A partir do momento em que o número de ignições ultrapassa uma certa quantidade o sistema de combate deixa de dar resposta”, sustentou.

Por isso, adiantou, é necessário arranjar um sistema que puna quem transgride quando são realizadas ações contrárias à legislação em vigor, como fazer fogueiras, queimadas, lançar foguetes e cigarros.

Joaquim Sande Silva sublinhou, também, que as pessoas continuam a não limpar a vegetação que está junto às suas casas, recordando que há legislação específica que determina a limpeza num perímetro de 50 metros à habitação.

O ambientalista disse, igualmente, que ao nível da prevenção “têm sido feito muitos planos”, mas no terreno tem “sido muito pouca a intervenção”.

“Apesar da criação das Zonas de Intervenção Florestal e da existência de um Fundo Florestal Permanente para que as Câmaras ponham os organismos técnicos florestais a fazer planos de ordenamento e de prevenção de incêndios, nada disto está a funcionar no terreno e o que presenciamos é uma escalada quase galopante da matéria combustível”, acusou.

Segundo o dirigente da LPN, “há uma série de áreas que arderam em 2003 e 2005, que permaneceram ao abandono e que, entretanto, estão a criar um manto de combustível”.

Os incêndios dos últimos dias não “surpreendem” o ambientalista, frisando que “já se estava à espera que a meteorologia proporcionasse este tipo de situação”.

“E se a meteorologia assumir características ainda mais gravosas, nomeadamente semelhantes ao que aconteceu em 2003 e 2005, iremos continuar a assistir a incêndios difíceis de combater devido ao combustível”, acrescentou.

O dirigente da LPN criticou ainda que o processo de cadastro das propriedades não tenha sido iniciado, apesar de já estar previsto há alguns anos.

Deve ser feito “aquilo que anda a ser prometido há imensos anos que é o levantamento das propriedades em Portugal”, sustentou.

Joaquim Sande Silva adiantou que só fazendo um cadastro das propriedades é que se consegue “implementar no terreno os planos que têm vindo a ser feitos”.

De acordo com o ambientalista, não se sabe quem são os proprietários da maior parte dos terrenos e muitas das propriedades estão a arder.

A floresta portuguesa ocupa uma área aproximada a 3,4 milhões de hectares, cerca de 40 por cento do território nacional, e caracteriza-se por uma baixa diversidade de espécies, sendo o eucalipto, o sobreiro e o pinheiro-bravo as principais.

O Estado detém dois por cento da área florestal, pertencendo a maioria (77 por cento) a proprietários individuais.


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