Suicídios aumentam devido à crise


 

Lusa/Ao on line   Nacional   23 de Out de 2009, 06:15

A crise fez subir a ideação suicida em pessoas fora dos grupos de risco, o que é demonstrado pelo aumento de apelos registados na linha telefónica Voz de Apoio, informou um dos responsáveis, Alexandre Teixeira.

Em vésperas das segundas jornadas de Prevenção ao Suicídio, a decorrerem sábado, no Porto, o especialista referiu que com o desemprego, no âmbito da crise internacional, é "percepcionada uma maior ideação suicida normalmente expressa em pessoas de 30-40 anos, que, à partida, não seriam um grupo considerado de risco".

"Mas acreditamos que seja uma coisa temporária e relacionada com as dificuldades financeiras que as pessoas têm tido", avalia.

Os últimos números sobre suicídio em Portugal datam de 2007, por isso não há valores que permitam avaliar com exactidão a realidade actual.

À linha Voz de Apoio, que atende entre cinco a seis chamadas diárias (entre as 21:00 e as 00:00), têm chegado "situações dramáticas de perda de emprego, de perda de capacidade de pagar as despesas que têm", refere Alexandre Teixeira.

"Desde o início da crise que fomos tendo um apontamento, actualmente temos essa percepção mais forte", informa.

Nas jornadas, organizadas pela Mil Razões, serão abordados temas como o sofrimento em meio prisional e o suicídio na comunidade islâmica para se "desmistificar ideias preconcebidas".

Entre os mitos estão o facto de a depressão conduzir sempre ao suicídio e de ao falar-se do assunto se "estar só a chamar a atenção", resume Alexandre Teixeira, na organização da conferência.

"Há mitos que são erróneos e deixam que alguns sinais que as pessoas vão dando não sejam percepcionados", alerta.

Tradicionalmente, os grupos de risco da ideação suicida são os idosos, especialmente em certas zonas, como o Alentejo, e os jovens, "pelas suas características".

No Continente, a taxa de risco aumenta com a idade, mas nos Açores e Madeira regista-se o fenómeno invertido: são os jovens que se suicidam mais.

Para Alexandre Teixeira, as justificações encontram-se na "insularidade, na ausência de perspectivas de saírem".

A palestra sobre o suicídio na cultura islâmica pretende dar a conhecer como se lida com a situação fora das "ideias preconcebidas: questões religiosas - bombas e mártires".

Outra abordagem será a do suicídio e acupunctura. O organizador explica que a técnica oriental trata a depressão através da estimulação de certos pontos sensoriais.

"Sabemos que a depressão está muito associada ao suicídio. Há uma grande percentagem de suicidas que estão a passar por momentos depressivos. E é interessante ver de que forma a acupunctura pode diminuir esta depressão e a concomitante ideação suicida", justifica.


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