Serviços Públicos de Ponta Delgada a meio-gás


 

Lusa / AO online   Regional   30 de Nov de 2007, 11:36

A greve da Função Pública desta sexta-feira originou o funcionamento a meio-gás de vários serviços públicos da cidade de Ponta Delgada, como o Hospital local, notando-se um menor tráfego automóvel na maior cidade açoriana.

No caso da maior unidade de saúde dos Açores - o Hospital de Ponta Delgada - a agência Lusa constatou que a paralisação levou ao encerramento do Serviço de Atendimento Urgente (SAU), com os doentes a serem encaminhados para a Urgência, e o encerramento do serviço de colheitas para análises, da Consulta Externa.

"Vinha fazer análises, mas agora só para a semana", lamentou à agência Lusa uma utente, queixando-se dos "transtornos" que a situação lhe vai causar.

Idêntica opinião manifestou uma idosa, à saída do Hospital, reforçando que "devia ter sido avisada", uma vez que teve que "pagar táxi para vir até Ponta Delgada e regressa a casa sem ter feito os seus exames".

Também um casal saia do Hospital de Ponta Delgada com "desagrado", porque não ia ser possível realizar as análises ao sangue que tinha previsto fazer.

Num banco à entrada da consulta externa, um utente de meia-idade queixou-se à Lusa, porque "teria que esperar até ao final da manhã para saber se ia ou não ter consulta" de cirurgia geral.

Naquela unidade de saúde o movimento era muito menor esta sexta-feira, contrastando com o habitual.

"Deveriam ter-nos dado uma justificação, pois estamos aqui empatados", desabafou a mesma utente.

Dois hospitais dos Açores registaram uma adesão de 100 por cento à greve de hoje no turno dos enfermeiros que terminou às 08:00 locais (09:00 de Lisboa), tinha antes dito fonte do sindicato da classe.

O sindicalista Francisco Branco adiantou à agência Lusa que, ao nível da adesão dos enfermeiros, os hospitais de Ponta Delgada e Horta estiveram a 100 por cento, enquanto que no Hospital de Angra do Heroísmo a paralisação atingiu os 77 por cento.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses adiantou, ainda, que a greve de hoje atingiu uma adesão média nos Açores de 92 por cento, incluindo os três hospitais e todos os centros de saúde do arquipélago, distribuídos pelas várias ilhas.

Durante o dia, o sindicalista, que garantiu o cumprimento dos serviços mínimos, admitiu que a greve possa causar “constrangimentos às pessoas”, caso do adiamento de consultas externas e de cirurgias programadas.

Numa das principais Escolas Secundárias da cidade açoriana, um grupo de alunos aglomerava-se ao portão do estabelecimento de ensino, que não encerrou, mas devido à falta de funcionários, não vai haver aulas.

Enquanto isto, o principal centro comercial da cidade de Ponta Delgada registava um grande movimento de pessoas, principalmente jovens.

Devido à greve da Função Pública, a Câmara Municipal da Lagoa, na ilha de São Miguel, apelou aos munícipes para que não depositem o lixo às portas das suas casas, já que os funcionários da autarquia afectos aquele serviço aderiram à paralisação, daí que a recolha só será retomada na segunda-feira.

As três estruturas sindicais da administração pública marcaram a greve conjunta "contra a intransigência do Governo nas negociações salariais".

Por outro lado, o lixo nas ruas é um dos efeitos mais visíveis da greve em Ponta Delgada, um sector que o sindicato do sector garante que atingiu os 90 por cento na maior cidade dos Açores.

Nesta cidade, “saiu um carro só” para a recolha nocturna de lixo, disse à Lusa a sindicalista Graça Silva.



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