Secretária de Estado sugere uma mulher para governadora do Banco de Portugal


 

lusa   Nacional   28 de Fev de 2010, 11:50

É preciso escolher um sucessor para Vítor Constâncio e é uma boa oportunidade para pensar numa mulher para governadora do Banco de Portugal, sugere a secretária de Estado da Igualdade.

Elza Pais não está a pensar em nenhuma mulher em particular, embora refira que tem sido proposto o nome de Teodora Cardoso, nomeadamente através de uma petição on-line que circula na rede social Facebook.

"Gostava muito" que houvesse uma mulher à frente do Banco de Portugal, disse, recordando que "não há nenhuma mulher à frente de qualquer banco nacional" europeu.

"Era um bom sinal que a Europa daria ao mundo inteiro", já que mostraria que "as mulheres também se preocupam com estas temáticas, também são qualificadas nestes domínios", mas "as oportunidades é que ainda não são as mesmas", sustenta.

A sugestão para o Banco de Portugal enquadra-se na tomada de decisão no setor económico, na qual "os dados [sobre igualdade] não são tão positivos" como na política.

Recordando que tem havido propostas de grupos parlamentares, nomeadamente do PS, para que a igualdade seja mais garantida pelo menos na tomada de decisão económica ao nível do Estado, Elza Pais afasta, para já, a adoção de leis, mas garante que o Governo participará na discussão "e tomará as decisões mais adequadas".

Mas uma lei, adiantou, não deverá acontecer ainda nesta legislatura. Isto porque o Governo está concentrado em disseminar uma "estratégia de ação", que passa pela "implementação de planos para a igualdade nas empresas e promoção do empreendedorismo feminino".

Segundo a governante, a aposta na igualdade no setor económico tem sido forte. "Quase 50 por cento das verbas comunitárias canalizadas para a CIG [Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género] vão para o empreendedorismo feminino", o que equivale a 42 milhões de euros, número que até 2013 poderá ir até 83 milhões de euros, refere.

Existem "105 projetos de empreendedorismo feminino que envolvem 1400 mulheres, que estão a implementar os seus negócios, muitas das quais estavam em situações de desemprego", indicou.

E deu como exemplo o lenço dos namorados, "tradição que estava a cair em desuso", mas que "um grupo de empresárias apoiadas recuperou", "dando emprego a cerca de 300 mulheres numa pequena região [Viana do Castelo], das mais afetadas pela crise e deprimidas".

Reconhecendo que "é verdade" que a liderança nas empresas continua a ser dominada por homens, Elza Pais distingue, porém, o setor público do setor privado.

"Nos lugares de 1.º grau temos 29 por cento de mulheres e nos de 2º grau temos 40 por cento. A média dá 34 por cento, ou seja, na administração central a lei dos 33 por cento já está ultrapassada", refere.

Mas, reconhece, os 24 por cento de mulheres em conselhos de administração e os 10 por cento de presidentes (8 em 77) fazem do número de mulheres na liderança económica pública "uma percentagem baixa".

"Mas onde estamos pior é nos conselhos de administração das empresas privadas, temos apenas 3 por cento, e zero nas presidências das 19 maiores empresas portuguesas [do PSI-20]", compara, salientando que esta é uma realidade europeia e global.


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