Santana Lopes defende que Estado não pode fornecer serviços a todos de modo tendencialmente gratuito

Santana Lopes defende que Estado não pode fornecer serviços a todos de modo tendencialmente gratuito

 

Lusa/AO online   Nacional   7 de Jan de 2018, 09:59

O candidato à liderança do PSD Pedro Santana Lopes defendeu que o Estado não pode fornecer todos os serviços a todos de modo tendencialmente gratuito, devendo diferenciar os cidadãos em função dos seus rendimentos.

Na sua primeira intervenção na Convenção Nacional da sua candidatura, Santana Lopes respondeu a perguntas que lhe foram enviadas por militantes e que foram selecionadas e projetadas num ecrã gigante.

Questionado por um militante do Estoril como poderão os pensionistas com menos recursos pagar os lares, Santana Lopes disse preferir falar em Estado solidário do que em Estado social.

“A minha ideia é complementar à que tem sido seguida pelo Estado social, eu prefiro falar em Estado solidário. O Estado solidário liga-se mais com o conceito de cada um dever ser tratado em função dos seus rendimentos, o Estado social não pode fornecer todos os serviços de modo tendencialmente gratuito”, afirmou, apontando como exemplo a área da saúde, onde para quem tem mais rendimentos existe a oferta de seguros privados.

No caso concreto dos lares, o candidato defendeu que uma parte do esforço contributivo para a Segurança Social deve “ficar consignado para esse tempo de dependência física mais tarde”.

A primeira intervenção de Santana Lopes na Convenção começou cerca de uma hora depois do previsto e três horas depois de a iniciativa ter arrancado e que o candidato disse ter acompanhado pelas redes sociais.

Além desta questão, o candidato respondeu, sentado sozinho no palco central da Convenção, a mais cinco perguntas relacionadas com as comunidades, as desigualdades sociais, os cidadãos com deficiência e as regiões autónomas.

Sobre esta última questão, Santana defendeu ser o tempo de fazer “um balanço” sobre o relacionamento da República com Madeira e Açores e iniciar um “novo ciclo”, considerando que a crise financeira deixou alguns “dossiês pendentes por resolver” com as Regiões Autónomas.

Às comunidades, o antigo primeiro-ministro prometeu atenção redobrada a “quem está longe” e defendeu que o voto eletrónico deve ser introduzido “logo que seja possível em termos de segurança e respeito pela pureza da liberdade individual”.

O candidato apontou, no campo da inclusão, que deve ser assegurado que as regras para a construção de edifícios acessíveis são cumpridas e propôs o aumento dos estímulos fiscais para as empresas que deem trabalho e oportunidades aos cidadãos com limitações físicas.

A Convenção Nacional da candidatura de Pedro Santana Lopes arrancou já depois das 16:30, com a intervenção de abertura a cargo do mandatário nacional e presidente da Câmara de Viseu.

Almeida Henriques recolheu o primeiro aplauso da sala, no auditório principal do pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, ao elogiar “a excelente performance” de Pedro Santana Lopes, no debate de quinta-feira, na RTP.

“Ficou bem provado como é que um percurso político pode formar a pessoa certa, ficou bem provado quem está preparado para governar o país e quem é que faz trapalhadas”, afirmou.

Seguiram-se vários painéis temáticos, com temas como o crescimento económico, a coesão do território, a importância da inovação, a celeridade da justiça e políticas sociais.

No painel sobre crescimento económico, onde foi também orador Braga de Macedo, o presidente executivo da Endesa Portugal Nuno Ribeiro da Silva foi muito crítico da atual solução governativa, que acusou de “anacronismo ideológico”

“Podíamos estar a crescer muito mais se houvesse bom senso e não houvesse um discurso agressivo com setor privado”, defendeu alertou, criticando o PS por ter rompido o compromisso assumido com o PSD para a redução do IRC.

O PSD escolherá o seu próximo presidente no dia 13 de janeiro em eleições diretas, que serão disputadas entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio.


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