Ryanair rejeita qualquer tipo de coação e está aberta para reunir com sindicatos em Portugal

Ryanair rejeita qualquer tipo de coação e está aberta para reunir com sindicatos em Portugal

 

Lusa/AO Online   Nacional   18 de Jul de 2018, 17:19

O diretor de marketing da Ryanair rejeitou esta quarta-feira, em declarações à Lusa, qualquer tipo de coação sobre os trabalhadores da companhia e disse que a operadora está aberta para se reunir com os sindicatos em Portugal.

Questionado sobre as acusações de que a companhia aérea estaria a por em causa o direito à greve e coagir os tripulantes de cabine, na sequência da greve de 24 horas convocada em Portugal, Itália, Espanha e Bélgica no próximo dia 25 de julho e em Portugal, Espanha e Bélgica no dia 26, o diretor de marketing (CMO), Kenny Jacobs, rejeitou qualquer tipo de coação.

"Não pretendemos forçar ninguém, ninguém pode ser punido" por fazer greve e "certamente isso não acontecerá", salientou o responsável.

"O que estamos a fazer é estabelecer se todos [os tripulantes]" que estão escalados "vêm trabalhar para que possamos minimizar a disrupção junto dos nossos clientes", garantiu Kenny Jacobs.

O sindicato espanhol USO anunciou hoje que vai apresentar à Inspeção de Trabalho espanhola várias denúncias contra a companhia aérea Ryanair por "vulnerar o direito à greve e coagir os tripulantes de cabine com questionários e 'emails' nos quais pergunta se vão apoiar ou não a convocatória para os dias 25 e 26 de julho".

A Ryanair questiona "regularmente" os seus "empregados sobre se vão cumprir os seus deveres", algo que faz por telefone ou "por diversos métodos de comunicação", explicou o responsável, adiantando que se trata "apenas de tentar estabelecer como minimizar a disrupção na próxima semana, se a greve avançar".

"Se esta greve avançar será a segunda greve na nossa longa história em Portugal", disse, salientando esperar que tal não passe a ser algo comum na empresa.

As greves "não são boas para ninguém, não são para os sindicatos, para as pessoas, para o negócio da Ryanair, nem para o turismo em Portugal", afirmou.

A Ryanair indicou hoje que prevê cancelar até 300 voos diários na próxima quarta e quinta-feira (dias 25 e 26) devido a perturbações provocadas pela greve de tripulantes de cabine em Portugal, Espanha e Bélgica.

"Porque é que estamos a cancelar a sete dias da greve? Por duas razões. Esta greve vai ter um impacto de 27% nos nossos voos de e para Portugal nos dois dias, vai impactar cerca de 12% dos clientes da Ryanair na Europa" nesse período e "queremos remover a incerteza da cabeça de todos os clientes" da companhia, explicou.

"Queremos garantir à maioria dos nosso clientes, 88%, que os seus voos vão ser operados normalmente, queremos dar aos clientes cujos voos vão ser afetados, e nós lamentamos e pedimos desculpas, a máxima oportunidade para mudar para voos anteriores à data da viagem e regressar antes disso", adiantou Kenny Jacobs.

O diretor de marketing da operadora aérea irlandesa disse que a empresa está aberta para discutir com os sindicatos portugueses.

"Queremos discutir com mais frequência com os sindicatos em Portugal, queremos reunir com eles, queremos falar sobre os temas que estão em cima da mesa", prosseguiu, garantindo que a Ryanair terá "mente aberta" e estará "disponível para as matérias que [os sindicatos} estão a pôr em cima da mesa".

Sublinhou que a operadora aérea fez "bons progressos" e tem "reconhecimento" dos acordos de tripulação de cabine feitos no Reino Unido e Itália, que são os seus dois grandes mercados.

"Queremos fazer o mesmo progresso em Portugal", concluiu.

Os sindicatos que representam a tripulação de cabine da transportadora irlandesa anunciaram no passado dia 05 de julho a convocação para 25 e 26 de julho de uma greve em Espanha, Portugal, Itália e Bélgica. A paralisação em Itália só se realizará no primeiro dos dois dias.

Os trabalhadores exigem que a companhia aérea de baixo custo, entre outras coisas, passe a respeitar os direitos dos trabalhadores em cada país em que opera e reconheça os representantes sindicais eleitos, que pretendem negociar um acordo coletivo de trabalho.



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