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Romney joga a carta dos impostos, em mais uma semana à defesa

Romney joga a carta dos impostos, em mais uma semana à defesa

 

LUSA/AOnline   Internacional   22 de Set de 2012, 07:21

Em dificuldades nas sondagens face a Barack Obama, Mitt Romney viu-se novamente à defesa esta semana, que terminou divulgando enfim a sua última declaração de impostos, assim acatando apelos democratas e republicanos.

Depois de na semana anterior o eleitorado ter reagido mal, segundo sondagem
Reuters/Ipsos, a acusações suas ao presidente democrata Barack Obama sobre a
morte do embaixador na Líbia, esta semana Romney foi o foco ao saber-se que em
maio qualificou quase metade dos norte-americanos como dependentes do
Estado.

"Há 47 por cento da população que é dependente do governo, que acredita que é
vítima e que o governo tem responsabilidade de cuidar dela, que acredita que têm
direito a cuidados de saúde, alimentação, habitação, tudo", afirma Romney no
vídeo.

A percentagem de que fala no vídeo amador, publicado em ‘clips’ no site da
revista Mother Jones, inclui cidadãos que não pagam impostos sobre rendimentos,
como os mais pobres, mas também os militares que prestam serviço no Afeganistão
ou Iraque.

"Nunca vou convencê-los de que devem tomar responsabilidade pessoal e cuidar
das suas vidas", diz Romney, adiantando que o seu papel não é preocupar-se com
estes.

A primeira medida de contenção de estragos foi uma conferência de imprensa
para dizer que as declarações foram improvisadas e admitir que não foram
"elegantemente proferidas".

Num artigo publicado no diário USA Today, Romney articulou depois o ponto de
vista dizendo que Obama apoia uma economia que "alimenta uma rede de dependência
do governo", e por isso estagnação, em vez de "políticas para retirar os
norte-americanos da pobreza", através do crescimento económico.

O ponto seria reforçado em entrevista à cadeia de televisão Fox News e outros
meios.

As sondagens mostram que os comentários foram mal recebidos: segundo a
Gallup, 36 por cento dos eleitores afirmam que provavelmente estão agora menos
inclinados para votar em Romney e 20 por cento disseram manter a intenção de
voto, enquanto para os restantes não faz diferença.

A sete semanas das eleições e duas do primeiro debate presidencial, uma média
das sondagens dava esta semana 48,6 por cento das intenções de voto a Obama e
44,7 por cento a Romney.

A campanha democrata, que gosta de retratar Romney como um milionário que não
conhece os problemas ou necessidades da classe média e dos mais pobres, veio
imediatamente acusar Romney de "desqualificar desdenhosamente metade da
nação".

Contemporizador, no programa da CBS de David Letterman, o presidente Obama
veio dizer que "não há nada de errado" em "querer dar uma mão" a quem mais
precisa e que os eleitores não querem um presidente que "desqualifica uma grande
parte do país".

Alguns candidatos republicanos vieram mesmo a público distanciar-se, como
Scott Brown, que está a concorrer a senador do Massachusetts.

"Não é a forma como vejo o mundo. Como alguém que cresceu em circunstâncias
difíceis, sei que ninguém quer depender da ajuda do Estado", disse Brown.

Tomando a iniciativa, Romney divulgou na sexta-feira a sua declaração de
impostos mais recente, de 2011, como é hábito entre os candidatos presidenciais
e vinha sendo reclamado pelos seus adversários e mesmo por republicanos.

Pagou 1,95 milhões de dólares em impostos no ano passado, sobre rendimentos
de capital de 13,7 milhões de dólares, uma taxa de 14,1 por cento.

Dados divulgados pela campanha indicam ainda que Romney pagou impostos todos
os anos entre 1999 e 2009, a uma taxa média de 13,66 por cento.

O casal Romney doou ainda, em média, 13,45 por cento dos seus rendimentos
para caridade e quatro milhões de dólares em 2011.

Os democratas continuam a exigir a divulgação de mais declarações fiscais,
além da de 2011 agora divulgada e da de 2010 já conhecida, e deverão continuar a
fazê-lo em campanha, alegando que Romney tem contas não taxadas em bancos suíços
e paraísos fiscais.


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