Rio diz que Portugal vai pagar preço político elevado por 35 horas semanais na saúde

Rio diz que Portugal vai pagar preço político elevado por 35 horas semanais na saúde

 

Lusa/Ao online   Nacional   30 de Jun de 2018, 18:47

O presidente do PSD disse este sábado que Portugal vai pagar um preço político elevado pela redução das 40 para as 35 horas semanais na saúde, alegando que a medida sustenta o acordo de governo entre a esquerda parlamentar.

"É notório que o Governo teve de fazer esta alteração, passagem de 40 para 35 horas, para poder agradar ao Partido Comunista e ao Bloco de Esquerda e assim formar a coligação parlamentar que foi formada", disse Rui Rio aos jornalistas, à margem da reunião do Conselho Estratégico Nacional do PSD, que hoje decorreu em Coimbra.

O líder social-democrata acrescentou que a medida de redução da carga horária semanal, que se aplica ao setor da saúde a partir de domingo, foi tomada "por necessidade político-partidária e não por estratégia de gestão da administração pública".

"Aquilo que os portugueses vão perceber cada vez mais e melhor é o custo de uma solução parlamentar onde há choques políticos e ideológicos muito fortes entre o Partido Socialista, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda", argumentou.

Rio lembrou declarações dos bastonários dos Médicos e dos Enfermeiros sobre a situação e também os alertas feitos por ele próprio "já há meses", na sequência de diversas visitas a hospitais: "Isto está mal e ainda vai ficar pior", frisou.

O líder do PSD assinalou que as críticas à medida do Governo não querem dizer que o país não possa um dia passar das 40 para as 35 horas no setor da saúde, "mas tem de ser feito de uma forma estruturada e sabendo o que vai acontecer e prevendo o que vai acontecer".

"Da forma como foi feito, o resultado é este e ainda vai ser pior", alegou.

Questionado sobre a solução que devia ser adotada, Rui Rio considerou que é uma "excelente pergunta" para ser feita ao primeiro-ministro ou ao ministro da Saúde.

"O PSD foi o partido que fez o contrário, não fez isso. Para nós era evidente que ao fazer-se desta forma havia setores onde não há problema nenhum e há setores da administração pública, designadamente a saúde, onde há efetivamente problemas. Agora, tem de ser o Governo que criou este problema a dar a resposta ao problema que criou", enfatizou.

Rio voltou a alertar que se a situação no Serviço Nacional de Saúde com falta de recursos face à passagem das 40 para as 35 horas semanais "já está muito mal, ela vai piorar" mas recusou usar a palavra ‘caos' para a definir.

"A classificação de caos, estamos no domínio do português, cada um pode achar [que é] caos ou não caos. Mas que a degradação dos serviços vai ser notória isso infelizmente parece-me que é inultrapassável. E infelizmente num setor muito importante para toda a gente que é o setor da saúde", sustentou o presidente do PSD.

A partir de domingo, enfermeiros, assistentes e técnicos vão regressar às 35 horas de trabalho semanais, em vez das 40 atuais, numa altura de férias e em que há greves marcadas por sindicatos às horas extraordinárias.

Os administradores hospitalares alertam que atividades programadas como cirurgias terão de ser reduzidas, caso não seja reposto o número de profissionais necessário para garantir a qualidade do serviço, na sequência da aplicação das 35 horas de trabalho semanais.



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