Responsável de morte de mulher e bebé com pena suspensa


 

Lusa/AO online   Nacional   12 de Dez de 2011, 14:27

O Tribunal de Famalicão condenou a três anos e dois meses de prisão, com pena suspensa, um condutor que provocou um acidente em que morreu uma mulher de 32 anos e o filho, um bebé de 16 meses.
O arguido, de 57 anos, foi condenado por dois crimes de homicídio por negligência.

Para a suspensão da pena, o arguido fica obrigado a doar 2500 euros à Associação dos Cidadãos Automobilizados e a passar uma hora, de 15 em 15 dias e durante os três anos e dois meses, no Serviço de Ortopedia do Hospital de Vila Nova de Famalicão, para"verificar as consequências danosas" dos acidentes de viação.

Nas alegações finais, o Ministério Público tinha ainda pedido que o arguido fosse obrigado a colocar um ramo de flores na sepultura das vítimas, mas a família fez saber que não autorizaria tal gesto.

O acidente registou-se pelas 21:30 de 06 de Dezembro de 2009, na Via Intermunicipal que liga Vizela a Joane.

O veículo em que seguiam as vítimas, em direcção ao hospital de Riba d'Ave, para tratar o bebé, foi colhida frontalmente pela viatura em que seguia o arguido.

Segundo o tribunal, esta viatura seguia a uma velocidade superior a 90 quilómetros por hora.

O arguido, aconselhado por um amigo agente da PSP que entretanto contactou, abandonou o local do acidente e foi receber assistência num hospital particular, furtando-se assim ao teste "imediato" da alcoolemia.

O teste só seria feito depois das 04:00 do dia seguinte, tendo o arguido acusado uma taxa de 0,62 gramas por litro de sangue.

Este comportamento do arguido e do polícia foi fortemente criticado pela juíza, que falou mesmo numa "conduta repugnante" e numa "chicoespertice saloia".

"O mais vergonhoso é alguém sentar-se ali [banco das testemunhas] e ter admitido que aconselhou o arguido a sair do local e procurar assistência num hospital privado", referiu a juíza, dirigindo-se ao agente da PSP.

A juíza criticou ainda o facto de, durante todo o julgamento, o arguido não ter pedido desculpa aos familiares das vítimas.

"Como arguido, tem direito a remeter-se ao silêncio, mas como cidadão deveria ter outro tipo de comportamento", apontou.

Após a leitura da sentença, gerou-se alguma confusão no tribunal, com os familiares das vítimas a dirigir insultos e ameaças ao arguido.

"Um acidente pode acontecer a qualquer um de nós que anda na estrada, mas um pedido de desculpas seria sempre reconfortante para quem perdeu duas pessoas tão queridas", disse uma cunhada e madrinha das vítimas.

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