Rede de contactos é “fundamental” para se fazer cinema, defende produtora e realizadora

Rede de contactos é “fundamental” para se fazer cinema, defende produtora e realizadora

 

Lusa/Ao online   Cultura e Social   16 de Fev de 2019, 18:27

Uma rede de contactos é “fundamental” para dar “visibilidade” aos filmes e para fazer cinema atualmente, sublinha a produtora e realizadora portuguesa Renata Sancho, que participou na edição deste ano do programa “Emerging Producers”.

O programa, que decorreu em simultâneo com o Festival de Cinema de Berlim, é um projeto do Festival Internacional de Documentários Ji.hlava, que se realiza na cidade com o mesmo nome, na República Checa. É o único do género projetado para produtores de documentários na Europa.

“É um festival muito interessante, muito bom, com uma tradição na área experimental e no documentário. Eles conseguiram criar em sete anos um trabalho muito sério. Para este programa escolheram profissionais completamente diferentes, com realidades totalmente diferentes, e isso é muito enriquecedor”, realça Renata Sancho, em declarações à agência Lusa.

No total, o programa contou com 18 participantes europeus e um convidado do mundo, que este ano foi o Chile.

“Há uma coisa muito importante e que eles trabalham: a visibilidade. Tentam relacionar-te com o meio e isso é uma grande porta porque conheci muitas pessoas na rede de contactos que eles proporcionaram, pessoas que, caso contrário, chegando aqui à Berlinale, dificilmente teria oportunidade de conhecer”, explica a realizadora e produtora, sublinhando a importância da visibilidade e da rede de contactos.

“Somos um país muito pequeno, com uma produção, em termos de financiamento, pequena. Somos o parceiro pobre e somos olhados nesse sentido. Contudo fazemos um cinema que é bem visível. E isso também é crédito de outros produtores e realizadores que fizeram bem o seu trabalho. Mas não deixamos de ser um país pequeno. E ter uma rede de contactos é fundamental”, alerta.

“Em Portugal temos festivais importantes, de documentário temos o Doclisboa, mas se não conheceres as pessoas, nada feito (…) No mundo em que vivemos neste momento, a forma como os filmes circulam, como os festivais funcionam, a visibilidade que os filmes têm, acho que é fundamental criar uma boa rede de ‘networking’”, acrescentou Renata Sancho.

Nesse sentido, participar no programa “Emerging Producers” serviu como uma espécie de “alavanca” e foi uma “experiência muito positiva, com um grupo muito bom”, disse à Lusa.

Renata Sancho participou na iniciativa através de uma bolsa atribuída pela Fundação Calouste Gulbenkian. Para concorrer era necessário ter feito uma coprodução internacional e ter um filme estreado em festival.

“Neste momento tenho um projeto em coprodução, que dura há algum tempo, com Espanha. Um documentário sobre uma artista madrilena que é realizado pela Irene M. Borrego. Acabámos a rodagem e estamos em fase de pós-produção, precisamente numa altura em que precisamos de financiamento e sobretudo fazer vendas e preparar a distribuição. Este projeto é um grande desafio”, rematou Renata Sancho.

A 69.ª edição do Festival de Cinema de Berlim termina hoje, com a cerimónia de encerramento e entrega dos prémios.



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