Recapitalização da CGD “só por si não altera a rentabilidade” do banco

Recapitalização da CGD “só por si não altera a rentabilidade” do banco

 

Lusa/AO Online   Economia   2 de Abr de 2019, 12:31

O presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, afirmou que a recapitalização do banco “só por si não altera a rentabilidade” e que só “um projeto de transformação profunda” é que poderá ter sucesso.

“O que está a acontecer na CGD é um projeto de transformação profunda, porque a recapitalização só por si não altera a sua rentabilidade. Pelo contrário, hoje em dia quando um banco tem mais dinheiro disponível é penalizado”, disse o gestor à Lusa, à margem da XII Conferência Human Resources Portugal que se realiza no Museu do Oriente, em Lisboa.

“No passado [um banco] punha imediatamente a render juros e era remunerado. Hoje, quando tem mais liquidez é penalizado, pelo que só com uma profunda alteração da CGD, da sua transformação, da sua estrutura, da forma da cultura da organização, em termos concretos e materializáveis, é que pode ter sucesso”, acrescentou Paulo Macedo.

Durante a conferência sob o tema “Agilidade nas Empresas”, Paulo Macedo falou sob um conjunto de contrastes - “Os Mitos e a Realidade" -, isto é, sobre aquilo que “é importante” e sobre aquilo que “é muito importante”.

O gestor abordou um conjunto de fatores que atualmente “não estão ultrapassados”, mas que “por si só não são suficientes” nas organizações, empresas e banca.

Quanto ao modelo da banca baseado em balcões em Portugal e em todo o mundo, foi perentório: “Está completamente ultrapassado”.

Para Paulo Macedo, o que hoje existe “é uma banca multicanais, mais digital, que matem os balcões, mas ao mesmo tempo corresponde à imposição que os clientes fazem, designadamente os mais novos, que é poderem pagar através do seu telemóvel, poderem consultar as suas contas digitalmente, sem se deslocarem ao banco e muitas das vezes sem sequer quererem deslocar-se a uma ATM [multibanco)”.

Em Portugal, “o que nós vemos é que os balcões continuarão a ser importantes na relação bancária, agora têm cada vez menos importância”, salientou o gestor à Lusa.

Paulo Macedo falou também no “triunfo dos intangíveis”, lembrando que as organizações (tipicamente) e os bancos (em especial) têm que ter capital e um conjunto sólido de ativos, têm de ter um volume de negócios relevante, têm de ter métricas de risco de ‘cost to income’ (rácio de eficiência dos custos face aos proveitos) e que “isso é essencial”.

Mas, de acordo com o gestor do banco público português, o que se tem aprendido, tanto na banca como nas restantes organizações “é que isso só não basta” e que “há valores tão importantes intangíveis, como os tangíveis”.

Paulo Macedo deu como exemplos a questão da reputação, o valor da marca, a capacidade de liderança e a capacidade de inovar.

No fundo, para o gestor, “são todo um conjunto de ‘itens’ intangíveis que são indispensáveis para o sucesso e para o maior valor das organizações”.

Paulo Macedo referiu ainda que um aspeto que se tem de valorizar mais nas empresas “são as pessoas certas”, embora diga que é comum dizer-se que “o ativo mais importante das empresas são as pessoas”.

“É preciso que a liderança não seja só centrada nos resultados, embora continue a ser essencial", disse o gestor, lembrando que defende "uma liderança que se centra nos resultados e que leve as pessoas a sentirem-se parte da organização, a partilhar o seu propósito e a partilhar uma melhor forma de trabalhar, a tal forma que acredito passará por cada vez ser mais ágil".

"É isso que está a acontecer na CGD”, salientou responsável.


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