Rapaz de 12 anos em greve de fome há duas semanas num centro de migrantes em Nauru

Rapaz de 12 anos em greve de fome há duas semanas num centro de migrantes em Nauru

 

Lusa/AO Online   Internacional   16 de Ago de 2018, 16:01

Um rapaz de 12 anos está há duas semanas em greve de fome num centro para migrantes financiado pela Austrália na ilha de Nauru, no Pacífico Sul, alertou esta quinta-feira a organização Médicos para os Refugiados.

O rapaz, de nacionalidade iraniana, está há cinco anos com a família naquele remoto país insular, onde a Austrália estabeleceu um centro para migrantes e refugiados que tentam chegar por via marítima ao território australiano.

“Ele [o rapaz] tem uma situação familiar difícil e há quase duas semanas recusa alimentos sólidos e líquidos”, disse à televisão australiana ABC o presidente da organização médica humanitária Doctors for Refugees, Barri Phataford.

“Não quero dar muitos pormenores sobre a sua condição clínica, mas é evidente que quando uma criança não quer comer nem beber por duas semanas é porque está profundamente deprimida”, acrescentou.

Para o médico, o rapaz, como tantos outros refugiados, “perdeu completamente a esperança” de ir para a Austrália.

Fontes médicas do centro disseram ao jornal britânico The Guardian que o rapaz está sedado para que lhe possam ser administrados líquidos por via intravenosa.

“A situação é crítica. Eles sabem disso, em Camberra, mas não acontece nada”, disse a fonte.

Um porta-voz do Ministério do Interior da Austrália escusou-se a comentar o caso e afirmou que Nauru “tem uma ampla gama de serviços de saúde”, que inclui especialistas em saúde mental.

A transferência de refugiados e migrantes para a Austrália ou para outros países é avaliada caso a caso, desconhecendo-se se o caso do rapaz está a ser avaliado.

Alguns casos médicos são transferidos, segundo o Guardian, mas normalmente só ao fim de muitos relatórios médicos.

O jornal refere o caso de duas crianças que deverão sair do centro na sexta-feira.

Trata-se de um rapaz de 8 anos, autista, cujos pais estão doentes, e outro de 14 anos, com uma perda de massa muscular tão acentuada que pode nunca voltar a andar normalmente.

Agências da ONU e organizações humanitárias têm denunciado a deterioração da saúde mental dos migrantes retidos nestes centros, especialmente dos menores.

A Austrália mantém desde 2013 uma restritiva política de imigração, que passa por manter os migrantes e refugiados em centros localizados noutros países.

Além de Nauru, Camberra tinha outro centro em Manus, na Papuásia-Nova Guiné, mas esse foi encerrado em outubro passado depois de um tribunal papuásio o declarar ilegal.

Estima-se que haja atualmente 1.100 refugiados em Nauru, entre os quais 120 menores, e cerca de 800 pessoas continuam em Manus à espera de ser transferidas para outros países.



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