Putin visita a Venezuela

Putin visita a Venezuela

 

Lusa / AO Online   Internacional   2 de Abr de 2010, 10:45

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, recebe hoje o primeiro ministro russo, Vladimir Putin, numa visita destinada a fortalecer as relações de cooperação, a que se juntará o presidente da Bolívia, Evo Morales.

Nesta primeira visita oficial de Putin à Venezuela vão ser estabelecidas novas áreas de cooperação e serão assinados acordos, em particular no campo da energia.

A visita deveria ter um carácter bilateral e ser precedida pela sétima reunião da comissão intergovernamental russo-venezuelana, que ocorreu na quarta feira, mas anunciou-se entretanto a deslocação de Morales à Venezuela.

Está por esclarecer se o líder boliviano participará em reuniões tripartidas, ou se contactará Putin e Chàvez em termos bilaterais.

O vice-presidente venezuelano, Elías Jaua, realçou que com a visita de Putin começa uma "nova etapa" nas relações bilaterais porque transcende a energia e se alarga a setores como telecomunicações, saúde, indústria extrativa e finanças.

Neste último setor, Jaua destacou a constituição de um banco russo-venezuelano para “financiar o desenvolvimento dos dois países".

Jaua assegurou que este processo "não tem marcha-atrás" e anunciou negociações para o reconhecimento mútuo de graus universitários, o fabrico de vacinas e o estabelecimento de ligações aéreas diretas entre Caracas e Moscovo.

Os russos referiram que a visita de Putin podia ser aproveitada para realizar uma cerimónia de entrega à Venezuela dos últimos quatro helicópteros russos Mi-17, dos 38 vendidos em 2006.

As autoridades russas anunciaram também que vão procurar concretizar a venda de 2200 automóveis Lada, bem como a construção de unidades de montagem e manutenção de veículos.

Por outro lado, os porta-vozes das delegações destacaram a presença em Caracas de um avião birreator de ataque a incêndios, o Beriev-200 (Be-200), que fará una demonstração das suas capacidades no parque nacional Waraira Repano, que ocupa toda a parte norte da capital venezuelana.

Em complemento à visita de Putin, o barco escola russo Kruzenshtern, da frota pesqueira do Báltico, construído em 1926, atracou no porto de La Guaira, 30 quilómetros a norte de Caracas.

Na quinta feira foi visitado pelo vice-presidente Jaua, pelo ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Nicolás Maduro, e pelo vice primeiro ministro ruso, Igor Sechin, que está em Caracas a preparar a visita de Putin.

O protocolo contempla a presença de Putin numa cerimónia de colocação da primeira pedra de um templo da Igreja Ortodoxa Russa em Caracas.

Admite-se ainda que durante a sua reunião, Chàvez e Putin, cujos contactos datam de 2000, discutam a cooperação militar, até porque a Venezuela é o principal cliente latino- americano da indústria militar russa.

Durante a visita de Chávez a Moscovo, em setembro de 2009, foi discutida a transação de uma versão moderna do carro de combate T-72 e de sistemas de defesa aérea através de um crédito russo de 2.200 milhões de dólares.

Durante a reunião da comissão inter-governamental realizada na quarta feira foi assinado um acordo para a construção de um complexo petroquímico com capacidade para produzir 450 mil barris diários de crude extra-pesado, que implicará um investimento estimado em 30 mil milhões de dólares (22 mil milhões de euros).

O acordo foi assinado por representantes da Corporação Venezuelana de Petróleo (CVP), uma filial da estatal Petróleos da Venezuela S.A. (PDVSA), e do Consórcio Nacional Petrolífero Russo (CNPR), composto pelas empresas russas Rosnefl, Lukoil, Tnk-bp, Gazprom e Surgutneftgaz.

O texto prevê a construção de uma empresa mista (capitais públicos e privados) em que a CVP será a acionista maioritária, com 60 por cento, e o CNPR deterá 40 por cento das ações, tendo como missão a execução de atividades primárias de produção e melhoramento de crudes extra-pesados no Bloco Junin 6 da Faixa Petrolífera de Orinoco, sudeste de Caracas.

Esta empresa será também responsável pelo Complexo de Melhoramento de Mapire (sudeste de Caracas) com capacidade para processar 200 mil barris diários de crude extra-pesado, transformando-os em crude melhorado de alta qualidade.


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