PSD/Açores vai a eleições e quer recuperar vitórias perdidas com saída de Mota Amaral

PSD/Açores vai a eleições e quer recuperar vitórias perdidas com saída de Mota Amaral

 

Lusa/Ao online   Regional   26 de Ago de 2018, 20:30

Dois candidatos perfilam-se para suceder a Duarte Freitas na liderança do PSD/Açores, ambos na esperança de recuperarem o ciclo de vitórias que se perdeu com a saída de Mota Amaral da cena política regional, há 23 anos.

Às eleições internas agendadas para 29 de setembro - após o atual líder regional, Duarte Freitas, eleito em 2013, ter anunciado que estava de saída – candidatam-se Pedro Nascimento Cabral, advogado, e Alexandre Gaudêncio, autarca.

Duarte Freitas, antigo eurodeputado, protagonizou, no âmbito do processo de renovação que encetou na estrutura partidária, uma fragmentação interna quando afastou Mota Amaral (presidente do Governo Regional durante cinco mandatos) da lista de candidatos a deputados à Assembleia da República.

Depois de 20 anos de governo ‘laranja’ no arquipélago, os sociais-democratas viram Carlos César levar o PS ao poder em 1996 - os socialistas mantêm-se no executivo nos Açores há 22 anos, somando seis vitórias nas legislativas regionais.

Com a saída da cena política regional do antigo presidente da Assembleia da República, em 1995, o candidato natural que se seguiu foi Álvaro Dâmaso, advogado, secretário regional de diferentes pastas, gestor de empresas públicas, ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e considerado ‘delfim’ de Mota Amaral.

Porém, manteve-se na liderança da estrutura partidária por pouco tempo, após a derrota nas regionais de outubro de 1996.

Carlos Costa Neves, que já foi ministro da Agricultura e do Ambiente, além de eurodeputado, foi presidente do PSD/Açores entre 1997 e 1999 e, novamente, entre 2005 e 2007. Tentou derrubar o PS de Carlos César por duas vezes, com candidaturas diferentes, mas sem efeito.

Além de repartir o seu tempo entre Bruxelas e os Açores e de, de alguma forma, ter sido penalizado por ser natural da ilha Terceira, numa altura em que havia a forte convicção interna de que o partido teria de ser liderado por um social-democrata de São Miguel, Costa Neves não conseguiu passar a mensagem e saiu.

Manuel Arruda (1999-2000), que foi presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, também tentou a sua sorte, mas foi derrotado por Carlos César nas regionais de 2000 e abandonou a liderança.

Seguiu-se o amigo pessoal do ex-primeiro ministro Pedro Passos Coelho Victor Cruz (2000-2005), antigo líder da JSD/Açores, que desempenhou várias funções políticas.

Não resistiu aos fracos resultados da coligação eleitoral firmada a nível nacional na altura entre PSD e CDS-PP.

O atual gestor do grupo Bensaúde, o maior grupo económico dos Açores, ganhou as autárquicas que se seguiram após a derrota nas eleições legislativas regionais e depois saiu da gestão ‘laranja’.

Após o segundo mandato de Costa Neves surgiu no partido a economista Berta Cabral, que angariou para o PSD/Açores uma série de vitórias na Câmara Municipal de Ponta Delgada e cedo foi vista como potencial presidente do executivo regional.

Apresentou-se nas eleições legislativas regionais de 2012 contra Vasco Cordeiro, a figura escolhida por Carlos César para o suceder na liderança do partido. Para a sua derrota terá contribuído a entrada em vigor do pacote de austeridade determinado por Pedro Passos Coelho na sequência da intervenção da ‘troika’ em Portugal.

Na altura, ficou célebre uma frase de Passos Coelho: "Se algum dia tiver de perder umas eleições em Portugal para salvar o país, como se diz, que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal".

A Berta Cabral sucedeu o ex-eurodeputado Duarte Freitas, que regressou aos Açores com a intenção de renovar o partido e prepará-lo para as tão desejadas vitórias.



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