Produtores de leite alertam em carta aberta para "risco de extinção" do setor

Produtores de leite alertam em carta aberta para "risco de extinção" do setor

 

Lusa/AO online   Economia   24 de Ago de 2012, 10:53

A Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep) alerta, numa carta aberta "dirigida à indústria, distribuição, governantes e sociedade", para o "risco de extinção" do setor face à descida dos preços à produção e escalada dos custos.

“Os produtores estão esmagados entre os baixos preços pagos pelo leite e os elevadíssimos custos dos fatores de produção”, denuncia a Aprolep, alertando que as “perspetivas” apontam para um novo “agravamento da situação no setor”.

Em conferência de imprensa na Póvoa de Varzim, a associação recordou que a soja, “um dos principais componentes da alimentação das vacas leiteiras”, quase duplicou o preço e está atualmente a 56 cêntimos por quilo, “com ameaças de mais subidas em setembro devido à seca nos EUA e na Rússia”, enquanto os preços do gasóleo “bateram sucessivos recordes”.

Em sentido inverso, o preço do leite pago ao produtor desceu entre 2,5 e 4,5 cêntimos por litro desde o início do ano, “havendo compradores que desceram em agosto e outros que ameaçam descer em setembro”.

Para a Aprolep, “é urgente tomar medidas” e “é fundamental que o trabalho da Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar [PARCA] tenha resultados concretos, para que haja uma distribuição mais equitativa do valor ao longo da fileira dos laticínios”.

“É urgente que o produtor deixe de ser o elo mais fraco e que os laticínios deixem de ser usados como produto isco pelas grandes cadeias de distribuição. É imperioso combater a especulação nas matérias-primas e promover o aumento da produção nacional de cereais para diminuir a nossa dependência de importações”, sustenta.

Neste contexto, na carta aberta hoje divulgada a associação reclama do Governo “que tome medidas para um mercado com regras”, pede à indústria “que seja eficiente, inovando nos produtos e buscando novos mercados”, defende que a distribuição “seja responsável e justa” e apela à sociedade “que ajude os produtores, preferindo laticínios portugueses”.


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