Principal zona de nifidicação do garajau-rosado no país foi 'salvo' dos ratos


 

Lusa/AO Online   Regional   16 de Fev de 2010, 07:46

 

O mais importante local de nidificação em Portugal do garajau rosado, uma ave protegida, foi salvo, depois de cerca de um ano de acções de desratização que permitiram limpar o Ilhéu do Feno, na Terceira.

 

O sucesso das acções para salvar esta zona de nidificação foi hoje revelado à Lusa pelo investigador João Amaral, recordando que o local esteve “em risco”, já que, em 2005 e 2006, “nenhuma ave ali nidificou”.


A importância do Ilhéu do Feno resulta de ser o principal local de nidificação desta ave nos Açores, a única região do país onde existem garajaus rosados.


“O garajau rosado tem uma população na Europa de apenas cerca de seis mil indivíduos (entre 2 a 3 mil casais), com colónias em Inglaterra, Irlanda, França e Portugal, onde existem apenas as colónias referenciadas nas nove ilhas dos Açores”, salientou João Amaral.


No arquipélago existem três dezenas de colónias espalhadas pelas nove ilhas, onde nidifica metade da população total da espécie em território europeu.


Cada colónia tem, em média 20 casais, excepto o ilhéu do Feno onde chegaram a ser registados 350 casais em 2001, ano em que atingiu o maior número.


Este local de nidificação foi, no entanto, alvo de um ataque de ratos que culminou com o completo afastamento dos garajaus rosados em 2005 e 2006.


Para inverter este quadro, foi desenvolvida uma campanha que envolveu a colocação de armadilhas numa área com cerca de 1,6 hectares, entre o outono de 2006 e a primavera de 2007, o que permitiu erradicar a população de ratos.


“Resultou em pleno na recuperação daquela colónia de aves”, frisou João Amaral, destacando a importância desta campanha, cujo relatório foi publicado na Internet pela revista inglesa ‘Conservation Evidence’.


Os dados disponíveis indicam que a colónia de garajaus rosados no Ilhéu do Feno passou de cinco casais em 2007 e 2008 para cerca de 250 casais no ano passado.


Um sucesso, segundo João Amaral, que assume especial significado por ter envolvido “parcos meios, longe de projectos megalómanos”.


“A congregação de boas vontades, o voluntariado e pouco dinheiro são um exemplo de como se pode proteger um pequeno local com um grande impacto numa espécie protegida”, salientou o investigador.


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