O chefe de Estado discursava na sessão de encerramento do seminário "A economia social, o emprego e o desenvolvimento local", organizada pela Cáritas, no auditório do Banco de Portugal (BdP).
No encerramento do seminário estiveram também presentes o presidente da Cáritas, Eugénio Fonseca, o presidente do BdP, Carlos Costa, o ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares, e o presidente do Centro Nacional de Cultura, Guilherme d'Oliveira Martins.
Na sua intervenção, Cavaco Silva criticou o que disse ter sido uma "cultura de protecionismo social" fomentada pelo Estado na segunda metade do século XX, "desresponsabilizando de algum modo os cidadãos e menosprezando os valores da cultura cívica, da participação, do voluntariado e do espírito de solidariedade".
"O perímetro de intervenção do Estado alargou-se, chamando a si um leque cada vez mais diversificado de funções, nomeadamente as sociais, que acabaram por suplantar as tradicionais funções de soberania (…) Duplicou-se a infraestrutura de prestação de serviços, sendo que nem por isso se ganhou eficiência ou se pouparam recursos", declarou.
Na opinião do chefe de Estado, é preciso "promover uma integração virtuosa dos dois modelos, o do Estado de bem-estar e o da economia social": "O problema não consiste em optar por um ou outro caminho, mas tão só no desafio que a realidade nos coloca de que, juntos e coesos, poderemos fazer melhor".
Aníbal Cavaco Silva considerou que estas instituições oferecem "uma dimensão mais humanizada à alternativa burocrática" do Estado e lembrou que no início do seu primeiro mandato lançou "o desafio de um compromisso cívico para a inclusão social na perspetiva de se retomar essa cultura participativa".
"Na grave situação social por que passamos, o que seria de milhares de famílias não fora o excecional trabalho que as organizações do terceiro setor tem vindo a desenvolver", observou.
