Eleições na Argentina

Primeira-dama eleita presidente por margem folgada

Primeira-dama eleita presidente por margem folgada

 

Lusa / AO online   Internacional   29 de Out de 2007, 15:52

A Argentina escolheu domingo a primeira-dama Cristina Fernandez de Kirchner para a chefia de Estado, na primeira volta das presidenciais, que representaram praticamente um referendo à gestão do seu marido, o presidente cessante Nestor Kirchner.
A senadora Cristina Fernandez, 54 anos, empenhada na política sob a bandeira do peronismo ao lado do seu marido há mais de 20 anos, é a primeira mulher eleita presidente da Argentina.

Obteve 44,8 por cento dos votos, à frente de uma outra mulher, a deputada liberal cristã Elisa Carrio (22,9 por cento), segundo resultados quase definitivos respeitantes a 96,08 por cento dos sufrágios.

O antigo ministro da Economia Roberto Lavagna, demitido por Kirchner em 2005, obteve 16,8 por cento dos sufrágios.

“Ganhámos por larga margem”, declarou domingo à noite Cristina Fernandez, ao lado do marido.

Mais que uma eleição, a votação de domingo pareceu ser uma “reeleição”, após quatro anos de crescimento económico contínuo, atingindo os 9 por cento ao ano e uma estabilidade económica recuperada após os sobressaltos de finais de 2001.

Em plena crise económica, cinco presidentes sucederam-se então em menos de um mês.

“A economia foi o tema central desta eleição”, resumiu Joaquin Morales Sola, analista e editorialista do diário La Nacion, interrogado por uma televisão.

Os institutos de sondagem mostraram-se unânimes ao anunciar a vitória à primeira volta da candidata do poder, ao longo de uma campanha que pouco entusiasmo suscitou entre os argentinos.

O triunfo de Cristina Fernandez, aliás, não motivou qualquer concentração dos seus apoiantes nos lugares tradicionalmente escolhidos pelos habitantes de Buenos Aires para celebrar.

Ao longo de uma campanha discreta, realizada em grande parte no estrangeiro, Cristina Fernandez não foi explícita quanto à política que tenciona desenvolver, contentando-se em prometer a continuidade.

Contudo, terá agora que responder muito rapidamente às aspirações dos eleitores, preocupados com a subida dos preços, mas também com a insegurança, um tema que praticamente nunca abordou.

“As suas propostas resumem-se a mais do mesmo”, considerou o analista Sérgio Berensztein, em declarações a uma televisão.

Se, como é praticamente certo, os resultados definitivos confirmarem a sua vitória, Cristina Fernandez receberá do marido o testemunho presidencial a 10 de Dezembro.

Será a primeira presidente eleita da Argentina, mas não a primeira chefe de Estado. Isabel Peron, terceira mulher do ex-presidente Juan Peron, foi investida presidente em 1974, após a morte do seu marido, quando ocupava as funções de vice-presidente.

A vitória de Cristina Fernandez surge um ano após a eleição para a presidência de uma outra latino-americana, a chilena Michelle Bachelet.

Eleita várias vezes deputada e senadora, Cristina Fernandez, mulher de carácter que cultiva a elegância, tem já uma longa carreira política por trás de si.

Advogada de formação, triunfara já há dois anos na província de Buenos Aires, que representa perto de 40 por cento do eleitorado do país. Foi eleita então senadora, derrotando, também dessa vez, uma mulher, Hilda “Chiche” Duhalde, esposa do antigo presidente Eduardo Duhalde.

Nas eleições de domingo, além de escolherem o presidente e o vice-presidente do país, os argentinos renovaram metade da Câmara de Deputados e um terço do Senado e os eleitores de oito províncias escolheram um novo governador.

A Frente para a Vitória (FPV) dos Kirchner obteve uma vitória clara, ampliando a sua maioria no parlamento e conquistando os oito lugares de governador em disputa.
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