Presidente Saleh disposto a negociar com o ramo iemenita da Al-Qaida


 

Lusa / AO online   Internacional   10 de Jan de 2010, 13:03

O presidente do Iémen, Ali Abdallah Saleh, afirma que o seu governo está disposto a dialogar com o ramo iemenita da Al-Qaida se esse grupo extremista aceitar depor as armas.

"Apelámos há dias a um diálogo com todas as formações políticas da oposição, porque o diálogo é a melhor solução, até mesmo com a Al-Qaida e os huthis (rebeldes xiitas zaiditas do norte do Iémen)", declarou o presidente numa entrevista difundida sábado à noite pela televisão de Abu Dhabi.

"Se depuserem as armas e renunciarem à violência e ao terrorismo, estamos prontos para um entendimento com eles", disse Saleh a propósito da Al-Qaida.

O presidente iemenita apelara na véspera ao estabelecimento de um amplo diálogo nacional que devia ter começado em Dezembro último mas foi adiado.

Saleh afirmou que os elementos da Al-Qaida "constituem uma ameaça para a segurança e a paz no mundo", qualificando-os de "traficantes de droga, ignorantes e pessoas sem nenhuma relação com o Islão", apesar de o invocarem para justificar as suas acções terroristas.

O presidente iemenita já tinha exortado há dias aos "jovens que se deixam enganar pelos elementos da Al-Qaida" a "voltarem à razão e renunciarem à violência e ao terrorismo".

As autoridades iemenitas intensificaram em Dezembro passado a sua campanha contra a facção "Al-Qaida na Península Arábica (Aqpa)", que reivindicou a tentativa de atentado de 25 de Dezembro contra um avião comercial norte-americano.

Também a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou no início desta semana que a guerra e o aumento da actividade da organização fundamentalista Al-Qaeda no Iémen representam uma ameaça global para a região e para o mundo.

"Obviamente, vemos implicações globais na guerra no Iémen e nos esforços da Al-Qaida para usar o Iémen como base para ataques terroristas", referiu a governante a jornalistas.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, acusou há dias o ramo iemenita da Al-Qaida de ter armado e treinado o nigeriano que no dia de Natal tentou fazer explodir o avião comercial norte-americano na rota entre Amesterdão e Detroit.

Falando sobre o suspeito detido, o nigeriano Umar Faruk Abdulmutallab, o presidente acrescentou existirem informações dos serviços secretos norte-americanos sobre um envolvimento dos terroristas do Iémen nessa tentativa de derrubar o aparelho.

"Sabemos que ele vinha do Iémen, um país que enfrenta grande pobreza e insurreições mortíferas, onde se filiou num grupo ligado à Al-Qaida que o treinou, equipou com os explosivos e comandou para o ataque a este avião em rota para os Estados Unidos", referiu Barack Obama.


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