Presidente do Equador dá 12 horas a sequestradores dos jornalistas

Presidente do Equador dá 12 horas a sequestradores dos jornalistas

 

Lusa/AO online   Internacional   13 de Abr de 2018, 09:32

O Presidente do Equador, Lenín Moreno, deu esta sexta-feira 12 horas aos sequestradores do grupo de jornalistas, raptados no dia 26 de março, para fornecerem “provas de vida”, alertando que prepara uma “intervenção sem contemplações”.

O ultimato do chefe de Estado ocorre na mesma altura em que começaram a ser divulgadas fotografias que supostamente mostram os cadáveres da equipa de jornalistas que, de acordo com o executivo do Equador, “não são conclusivas” e devem continuar a ser “investigadas”.

“Um sentimento de indignação, de dor, de repulsa, de repugnância e de ira está no coração de todos os equatorianos”, disse Moreno, que regressou a Quito de emergência.

O Presidente do Equador encontrava-se na capital do Peru onde participava na Cimeira das Américas.

O Presidente indicou que o Equador sempre foi “um país de paz, de tolerância e de respeito”, acrescentando que já foi “suficientemente tolerante” com a situação.

“Estou a dar hoje um prazo de 12 horas a esses narcotraficantes para que entreguem uma prova de vida dos nossos compatriotas, caso contrário iremos – com toda a força – sem contemplações sancionar estes violadores de todos os direitos humanos e de todos os princípios do humanismo e da solidariedade”, disse o chefe de Estado.

No dia 26 de março, o jornalista Javier Ortega, de 36 anos, o fotógrafo Paul Rivas, de 45 anos, e o condutor Efrain Segarra, de 60 anos, foram sequestrados na zona de Matage, província de Esmeraldas (noroeste), perto da fronteira com a Colômbia, onde se encontravam a recolher informações sobre os ataques que envolvem narcotraficantes que se registam na região desde janeiro.

O Presidente do Equador disse que pediu ao chefe de Estado colombiano, Juan Manuel Santos, ações concretas por parte do governo de Bogotá sobre o assunto.

“Basta de contemplações, foi o que eu disse [ao presidente da Colômbia]. São precisas ações eficazes. Não podemos deixar que eles nos imponham as regras”, disse o chefe de Estado.

“Vamos dar-lhes luta no local que eles escolheram. É no sítio que eles escolheram que os vamos derrotar”, acrescentou.

Entretanto, o presidente da Colômbia dispôs-se, através da rede social Twitter, a dar todo o auxílio ao governo de Quito.

“Falei com o presidente do Equador, Lenín Moreno, e reiterei que tem e terá todo o meu apoio, das nossas Forças Armadas e do povo colombiano”, escreveu.

O presidente do Equador lança o ultimato poucas horas depois de o ministro do Interior do Equador, César Navas, ter afirmado que as primeiras investigações sobre as fotografias dos alegados cadáveres não foram conclusivas.

“Contámos também com a colaboração das autoridades colombianas, que também realizaram análises às fotografias e que também não foram conclusivas”, afirmou Navas.

O diretor da Unidade Criminal da Polícia do Equador, Fausto Olivos, disse igualmente que as investigações devem continuar.

Dezenas de pessoas concentram-se na Plaza Grande de Quito há vários dias em solidariedade para com os sequestrados, tendo acompanhado com atenção as declarações do chefe de Estado.

Moreno sublinhou que o prazo concedido aos sequestradores para entregarem uma prova de vida já começou.



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