Português nomeado porta-voz das forças aliadas inicia missão com estágio em Bruxelas


 

Lusa/AO   Internacional   27 de Set de 2007, 06:09

O general português Carlos Branco, recém-nomeado porta-voz das forças aliadas no Afeganistão (ISAF), parte hoje para a sede da Aliança Atlântica em Bruxelas, onde vai cumprir um breve estágio de especialização no contacto com os media.
"Combater o derrotismo e evitar que prevaleça a falsa ideia de que os talibãs estão a a derrotar militarmente as forças da NATO" - eis o objectivo do oficial português para a sua missão como "porta-voz" das forças aliadas no Afeganistão.

    Em vésperas de partir para o Afeganistão Carlos Branco analisa em entrevista à Lusa a situação no terreno, sublinha a importância da "frente dos media" e deixa um alerta: "O processo da comunicação não se pode reduzir a um combate entre 'spin doctors' e jornalistas transformados em artistas, onde o imediatismo se sobrepõe ao rigor".

    O general assume um cargo da mais alta responsabilidade no comando na força internacional no Afeganistão, onde Portugal marca já presença de destaque através da task force (uma companhia da pára-quedistas e um destacamento de apoio aéreo táctico) em funções de "reserva táctica" do comandante da ISAF.

    "Trata-se do reconhecimento por parte da Aliança, por um lado, o empenho político nacional nos assuntos da paz e da segurança internacionais em que a NATO se tem envolvido; e, por outro, a qualidade do desempenho operacional dos militares portugueses", considera o general Carlos Branco.

    "Proporcionar informação relevante com rapidez, fazendo com que aquela circule com celeridade e que os destinatários a possam receber no tempo certo" - é assim que encara a prioridade da sua missão. Trata-se em suma de tornar mais prontas e eficazes as respostas da NATO em matéria de informação num momento em que os talibã procuram explorar ao máximo o impacto mediático das suas acções.

    A criação do cargo de porta-voz do comandante da ISAF sublinha por si só a importância atribuída a "frente dos media" num momento em que a missão da NATO no Afeganistão atravessa um período crucial face ao crescendo da insurreição talibã, em particular no Sul do país. Até agora a ISAF dispunha apenas de um Gabinete de Informação pública.

    "É fundamental combater o derrotismo e evitar que prevaleça a falsa ideia de que os talibãs estão a recuperar a iniciativa militar e a derrotar militarmente as forças da OTAN" - considera o general Carlos Branco. "É um facto que as forças rebeldes tiveram pontualmente sucesso - reconhece o oficial, numa breve análise da situação militar com se vai confrontar no teatro afegão.

    "Trata-se, porém, de vitórias mitigadas e de reduzido impacto táctico - e a NATO conseguiu entretanto infligir aos taliban revezes importantes".

    Neste quadro, a batalha passará agora em boa medida por um esforço para evitar que o eco mediático sobredimensione as incursões dos talibã. "É fundamental evitar o alarido em redor de acontecimentos menos agradáveis, inevitáveis numa guerra, e esquecer sistematicamente acontecimentos positivos reveladores do progresso realizado, porventura menos vendáveis no circo mediático" - sublinha o novo porta-voz da ISAF.

    "O que não pode acontecer é que actos tacticamente inexpressivos se tornem estrategicamente relevantes. E, aqui, a frente dos media é decisiva…"

    A questão assume particular importância no momento em que disparar das baixas nas fileiras da ISAF começa a gerar um crescente mal-estar junto da opinião pública e a transformar-se num problema político em vários países da NATO. Os media têm aqui um papel crucial "entre outras coisas, pelo modo como pode contribuir para a mobilização das opiniões públicas nos países da NATO para apoiarem o esforço da Organização".

    Em boa medida, reconhece o general, o êxito da missão que se prepara para abraçar depende "do modo como eu me conseguir relacionar com os media, da maneira como eu consiga criar empatia e laços de confiança com eles". O que não obsta a uma visão marcadamente crítica do trabalho dos mesmos media.

    "A procura do scoop a todo o preço e sem regras para além de inaceitável é eticamente deplorável. O processo da comunicação não se pode reduzir a um combate entre spin doctors e jornalistas transformados artistas, onde o imediatismo se sobrepõe ao rigor".
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