Portugal defronta Queiroz, o mentor da 'geração de ouro'

Portugal defronta Queiroz, o mentor da 'geração de ouro'

 

Lusa/Ao online   Futebol   23 de Jun de 2018, 12:12

Portugal vai jogar na segunda-feira o apuramento para os oitavos de final do Mundial de futebol 2018 frente àquele que é considerado o grande responsável pela sua ‘geração de ouro”, o ‘professor’ Carlos Queiroz, atual selecionador do Irão.

Com Carlos Queiroz, de 65 anos, ao leme, o futebol português conquistou os seus dois únicos títulos mundiais, os campeonatos de mundo de sub-20 de 1989, em Riade, na Arábia Saudita, e de 1991, em pleno Estádio da Luz, em Lisboa.

Os títulos ficaram para a história e os jogadores que saíram das duas formações deram muito ao futebol luso, de Figo a João Vieira Pinto, passando por Rui Costa, Fernando Couto, Jorge Costa ou Paulo Sousa, todos jogadores de classe mundial.

Queiroz foi o responsável máximo pelo aparecimento desta geração e pela sua entrada ‘prematura’ no futebol sénior, numa altura, o início dos anos 90, em que a aposta em jovens, ainda mais portugueses, era uma raridade.

Depois dos dois títulos mundiais, os jovens lusos começaram a ser vistos de outra forma, mesmo pelas equipas ‘grandes’, que, depois de os terem formado, acolherem muitos deles nas suas equipas principais, para mais tarde os venderem, simplesmente porque não os conseguiam segurar.

Então, os clubes tinham limitação de estrangeiros, mas, ainda assim, Figo rumou ao FC Barcelona, Rui Costa à Fiorentina, Fernando Couto ao Parma e Paulo Sousa à Juventus, no que foi o primeiro êxodo massivo de jogadores lusos para o estrangeiro.

Nascido em Nampula, Moçambique, a 01 de março de 1953, Carlos Queiroz também partiria, mas só depois de orientar a seleção principal, pela qual se estreou a 04 de setembro de 1991, com um empate a um golo com a Áustria, num particular.

Após um percurso em que estreou como internacionais ‘AA’ Peixe, Figo, João Vieira Pinto, Rui Bento, Paulo Bento, Paulo Sousa, Hélder, Paulo Torres, Abel Xavier ou Rui Costa, Queiroz acabou por sair em 1993, após falhar a presença no Mundial de 1994.

A 17 de novembro de 1993, Portugal perdeu por 1-0 com a Itália, em San Siro, e não conseguiu um lugar na prova marcada para os Estados Unidos, para desilusão de Queiroz: “É preciso varrer a porcaria que há na FPF. Há muito a mudar”, expressou.

Queiroz partiu, trocando a FPF pelo Sporting e, em 1994/95, esteve muito perto do título nacional, perdido nos célebres 3-6 face ao Benfica, com a meta à vista.

O técnico luso rumou depois ao estrangeiro: primeiro ao Metro Stars, dos Estados Unidos, depois ao Nagoya Grampus Eight, do Japão, e ainda às seleções dos Emirados Árabes Unidos e da África do Sul, que conduziu ao Mundial de 2002.

Passou então para adjunto, mas de ‘sir’ Alex Ferguson, no Manchester United, para, em 2003/04, aceitar o comando do ‘gigante’ Real Madrid, ao comando do qual só se aguentou uma época, ao não conseguir conquistar o título espanhol.

As portas ficaram abertas em Manchester e voltou aos ‘red devils’, para, na época 2008/09, optar por novo regresso, desta feita ao comando da seleção portuguesa de futebol.

Desta vez, conseguiu o apuramento para o Mundial de 2010, prova em que a formação das ‘quinas’ conseguiu chegar aos oitavos de final, caindo perante a Espanha, que ganhou por 1-0, com um tento, em posição duvidosa, de David Villa.

A segunda passagem pelo comando da formação das ‘quinas’ acabaria igualmente de forma controversa, espelhada nas enigmáticas palavras de Cristiano Ronaldo, que, confrontado com a eliminação, atirou: “Perguntem ao Carlos Queiroz”.

Desde então, o campeão mundial de juniores de 1989 e 1991 jamais voltou a Portugal, tendo passado para o Irão, cuja seleção conduziu aos Mundiais de 2014 e agora de 2018, no qual já conseguiu uma vitória, a abrir, face a Marrocos por 1-0, o mesmo resultado pelo qual perdeu na segunda ronda, frente à Espanha.

Na segunda-feira, já o confessou, vai vier um jogo “especial”, o que se compreende. Aconteça o que acontecer, estará para sempre na história do futebol português.



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