Portugal defende reforço de programa para ensaios clínicos na África subsaariana


 

Lusa/AO online   Nacional   17 de Set de 2018, 20:11

O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior defendeu hoje que o orçamento da parceria europeia com os países em desenvolvimento para a realização de ensaios clínicos deve ser reforçado para desenvolver a “infraestrutura humana” na África subsaariana.


Em declarações à Lusa, à margem do 9.º Fórum da Parceria entre a Europa e os Países em Desenvolvimento para a Realização de Ensaios Clínicos (EDCTP), em Lisboa, Manuel Heitor frisou que a EDCTP acentua a necessidade de estabelecer parceiras intergovernamentais orientadas “para problemas críticos, não apenas de África, mas de todo o mundo, e da Europa em particular”.

A parceria visa acelerar o desenvolvimento de fármacos e vacinas para o VIH/SIDA, a tuberculose e a malária, “dramas particularmente críticos na África subsaariana”, segundo o ministro, com particular incidência em ensaios clínicos.

Por isso mesmo, defende um reforço orçamental, no âmbito do novo Horizonte Europa (programa europeu para o período 2021-2027) que está a ser discutido.

“É um programa muito pequeno e Portugal tem defendido o seu crescimento, mas tudo resulta de uma negociação complexa a nível europeu”, acrescentou.

Portugal, adiantou, “está a intervir em várias ações para criar redes público-público entre a Europa e os países da África subsaariana”, mas “todo o esforço é pouco porque o desafio é enorme”, destacou o governante.

Manuel Heitor deu como exemplos a parceria entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e a fundação Aga Khan, para estimular a capacitação científica em África desenvolvendo redes entre instituições africanas em países como Guiné-Bissau, Nigéria, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, África do Sul, Cabo Verde, Moçambique e Angola, ou o Centro Internacional de Investigação para o Atlântico.

O ministro sublinhou que o objetivo é “ajudar a desenvolver e a fixar recursos humanos qualificado em África, a nível de capacitação científica” e “infraestruturas humanas”, apostando na educação e no desenvolvimento de redes, pois o contexto social e institucional em África “é particularmente fragmentado”.

Segundo o relatório mais recente da EDCTP, entre 2014 e o final de 2017 foram financiados 124 projetos, num valor total de 255,9 milhões de euros, incluindo 32 testes clínicos multicêntricos correspondentes a 195,24 milhões de euros. Estes ensaios envolveram investigadores de 35 países da África subsaariana e 16 europeus.

A EDCTP resulta de uma parceira público-público entre 14 países europeus e 16 africanos.



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