Polícia de Estocolmo pede reforços para enfrentar mais distúrbios
23 de mai. de 2013, 18:58
— Lusa/AO online
Os motins, que abalaram a imagem da Suécia como uma nação igualitária e pacífica, incendiaram no país o debate sobre a integração de imigrantes, que constituem cerca de 15 por cento da população.
Muitos dos imigrantes que foram para a Suécia devido à generosa política de refugiados do país, têm dificuldades para aprender a língua e arranjar emprego, apesar dos numerosos programas do Governo.
A polícia de Estocolmo indicou hoje que vai pedir reforços de outras partes do país para enfrentar mais problemas nos próximos dias.
A brigada de combate a incêndios referiu que foi chamada para acudir a cerca de 90 fogos na noite passada, a maioria dos quais causada pelos amotinados.
“Estamos gradualmente a ficar mais parecidos com os outros países”, disse Aje Carlbom, um antropólogo da Universidade de Malmö.
Os distúrbios terão sido desencadeados pela morte de um homem de 69 anos, residente em Husby, atingido a tiro pela polícia na semana passada depois de ter empunhado uma faca em público.
O homem fugiu para o seu apartamento, onde a polícia diz que tentou controlá-lo mas acabou por matá-lo a tiro, alegando legítima defesa.
Ativistas locais afirmaram que o episódio desencadeou a revolta entre os jovens, que dizem ter sido alvo de brutalidade policial durante a primeira noite de tumultos, e que a polícia lhes chamou “vadios, macacos e pretos”.
Duas pessoas, uma delas um polícia, ficaram feridas nas quatro noites de distúrbios.
Por seu lado, a polícia tentou desvalorizar a escala dos acontecimentos.
“Cada pessoa ferida é uma tragédia, cada carro incendiado é um fracasso para a sociedade, mas Estocolmo não está a arder. Tenhamos uma perspetiva equilibrada da situação”, declarou Ulf Johansson, subcomandante da polícia da capital sueca.
Os motins tiveram a atenção dos media internacionais, com algumas comparações a serem feitas com problemas semelhantes de integração de imigrantes em outros países europeus, como França e Reino Unido.