Plataforma europeia Paralell quer trazer “sangue novo” e novas dinâmicas à fotografia

Plataforma europeia Paralell quer trazer “sangue novo” e novas dinâmicas à fotografia

 

Lusa/Ao online   Internacional   18 de Ago de 2018, 12:13

A plataforma europeia Paralell, coordenada a partir de Lisboa e com 18 parceiros em 16 países, apoia artistas emergentes na internacionalização com o objetivo de trazer “sangue novo” mas também “novas dinâmicas ao sistema artístico” da fotografia.

A plataforma, com o subtítulo “European Photo Based Platform” (plataforma europeia baseada em fotografia, em tradução livre), junta 18 agentes culturais para “promover tutorias e cruzamentos culturais, com o objetivo de criar um novo padrão na fotografia contemporânea”, pode ler-se na apresentação.

“O objetivo principal é renovar e trazer novas dinâmicas ao sistema artístico, que por vezes está um pouco fechado. (...) Para nós muita da renovação sai da participação dos novos artistas e dos novos curadores, faz-se a partir da entrada desse sangue novo no sistema artístico”, disse à Lusa o diretor do projeto, Nuno Ricou Salgado.

As atividades mais visíveis do projeto, liderado pela associação lisboeta Procur.arte e financiado pelo programa europeu Europa Criativa (2017-2021), prendem-se com a exposição de trabalhos de artistas e curadores emergentes, aproveitando as parcerias com galerias e museus pela Europa, mas também através de publicações em revistas dedicadas e outros eventos.

Iniciada em 2017, a plataforma tem-se desdobrado em exposições articuladas com o primeiro ciclo de artistas e curadores emergentes escolhidos em concurso, de Budapeste a Derby, em Inglaterra, Maribor, na Eslovénia, ou Lodz, na Polónia, além da Trienal de Fotografia de Hamburgo.

Ainda este ano, os trabalhos ainda vão passar pelo festival de Landskrona, na Suécia, em setembro, já depois de passagens por grandes eventos internacionais como o Photo London e o Les Rencontres D’Arles, em ambos em conferências de apresentação da plataforma.

De 11 de setembro a 04 de outubro, a Paralell organiza em Zagreb um momento em que “os artistas do primeiro ciclo apresentam os corpos de trabalho criados e se encontram com os artistas do segundo ciclo”, antes de duas conferências na Paris Photo, em novembro.

“São momentos charneira de nível mundial [Photo London, Les Rencontres D’Arles e Paris Photo] onde todos os agentes programadores artistas e curadores estão presentes, e vamos reforçar a presença nesses momentos, levando as exposições e os trabalhos numa lógica de promoção mais estruturada nesses locais”, reforçou Nuno Ricou Salgado.

Em Zagreb, do primeiro ciclo, vão expor Pedro Koch e Nuno Barroso, mas também os quatro portugueses escolhidos para o segundo momento: Inês Marinho, Diogo Bento, Fábio Cunha e José Alves.

A 21 de novembro, todos os artistas do primeiro momento de um projeto de quatro anos delineado pela plataforma apresentam em Lisboa os trabalhos, sendo atribuído “um prémio para o melhor grupo expositivo” de entre os 23 artistas e seis curadores.

No novo ciclo, que recebeu “mais de 700 candidaturas”, estão presentes 22 nacionalidades entre os artistas e os sete curadores escolhidos, com países que vão da Europa até Singapura, entre outros, e um “equilíbrio de género”, sendo que os novos nomes terão direito a “seis exposições e publicações em revistas especializadas”, a partir de um trabalho de completa “liberdade criativa, importante para conseguir criar”, dando-lhes a garantia de apresentação ao público.

O novo grupo terá a oportunidade de expor, durante o ano de 2019, em galerias parceiras em França, Irlanda, Finlândia, Letónia, Lituânia e Dinamarca, entre outros eventos, apresentando em Budapeste, na “Paralell Intersection”, e depois em Lisboa, no “Paralell Review”, para a segunda edição do prémio para a melhor exposição, atribuído a artista e curador.

Com um “’feedback’ bastante positivo” e depois de terem “ajudado a dar o pontapé de saída” a vários artistas, o projeto tem apenas dez meses e é “ainda pouco tempo para ter resultados fixos” sobre o retorno da iniciativa, apoiada em dois milhões de euros pelo Europa Criativa.

Ainda assim, Ricou Salgado destaca a abertura de portas internacionais a vários dos artistas apoiados, quer no que toca a galerias como a instituições de ensino superior, bem como “um impacto bastante grande” no que toca ao mediatismo e conhecimento da Paralell dentro do meio.

Para já, fica a vontade, manifestada no Dia Mundial da Fotografia, que se assinala no domingo, de “esbater os códigos” que por vezes dificultam “a relação entre artistas e curadores”, articulando as duas partes para maior alcance e “criação de laços e trabalho conjunto”.

Outro dos combates da Paralell prende-se com “o afunilamento na saída do universo académico e entrada no sistema artístico”, contra o qual a plataforma “foi criando passo a passo um sistema e metodologia que torne o ingresso mais facilitado”.



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