Plataforma de recenseamento de açorianos no mundo já em vigor

Plataforma de recenseamento de açorianos no mundo já em vigor

 

Lusa/AO Online   Regional   4 de Nov de 2019, 09:49

O presidente do Governo dos Açores anunciou no domingo à noite na Bermuda que a plataforma de recenseamento de açorianos no mundo, implementada no seguimento do projeto do Conselho da Diáspora, criado este ano, entrou já em vigor.

O Conselho da Diáspora Açoriana, proposto pelo executivo e aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa Regional, tem a motivação de “convocar e envolver o povo açoriano espalhado pelo mundo no projeto de desenvolvimento” a que aspiram as nove ilhas, sinalizou Vasco Cordeiro

O governante falava na Bermuda, num jantar de convívio com a comunidade portuguesa, açoriana e lusodescendente, ponto que marcou o final do segundo de quatro dias de visita ao território atlântico.

Na sua intervenção, em que intercalou palavras em português e inglês, o chefe do executivo açoriano elogiou a emigração açoriana e as comunidade da Bermuda, bem como as do Brasil, América do Norte ou Uruguai.

“Presentemente, as necessidades e solicitações das próprias comunidades são diferentes e mais vastas. O contexto do relacionamento, quer com as sociedades de acolhimento, quer com os Açores, é marcado por outras prioridades e exigências”, lembrou.

Vasco Cordeiro enalteceu ainda a “dedicação” da diáspora açoriana na “preservação dos seus elos de ligação com as nove ilhas”, sinalizando que a comunidade da Bermuda é disso exemplo.

O Conselho da Diáspora Açoriana irá integrar 33 elementos, pertencendo dois terços destes à diáspora.

Os 19 conselheiros a eleger pelos açorianos da diáspora estão distribuídos por áreas geográficas onde a presença açoriana é mais expressiva: cinco nos Estados Unidos; cinco no Canadá; cinco no Brasil; um representante dos açorianos da Bermuda, um no Uruguai, um no território nacional, fora do arquipélago, e outro no resto do mundo.

Hoje, feriado nacional instituído este ano para assinalar a chegada, há 170 anos, dos portugueses à Bermuda, o programa tem início com a cerimónia de descerramento de uma placa alusiva à chegada de açorianos, enquanto que, à tarde, Vasco Cordeiro inaugura a sede da Casa dos Açores no território, encontrando-se com a comunidade açoriana.

Está ainda prevista uma visita ao Clube Vasco da Gama, fundado em 1935, responsável pela Escola Portuguesa, dedicada ao desenvolvimento e preservação da língua portuguesa, projeto apoiado pelo Governo dos Açores.

Esta é a primeira deslocação oficial de Vasco Cordeiro à Bermuda, que foi destino da emigração açoriana desde meados do século XIX. Estima-se que cerca de 20 a 25% da população da Bermuda seja descendente de portugueses, dos quais 90% de origem açoriana.

Se, relativamente aos outros destinos da emigração açoriana, a maioria dos emigrantes eram oriundos de todas as ilhas dos Açores, no caso da Bermuda, são, maioritariamente, naturais de concelhos específicos de São Miguel.

A Bermuda foi, assim, o terceiro grande destino da emigração açoriana, após Brasil e Estados Unidos da América.

­Relativamente aos processos que foram tratados diretamente pela Direção Regional das Comunidades dos Açores, apurou-se, de 1960 a 2018, um total de 8.626 cidadãos portugueses da região que saíram para a Bermuda com contrato de trabalho, para exercerem diversas atividades profissionais, nomeadamente nas áreas da construção civil e jardinagem.

De 2013 a 2018 saíram da região 389 cidadãos dos Açores, e este ano, de janeiro a 13 outubro, saíram da região 80 cidadãos açorianos com contrato de trabalho para a Bermuda.


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