PCP diz que açucareira Sinaga "não pode servir para o negócio imobiliário"

PCP diz que açucareira Sinaga "não pode servir para o negócio imobiliário"

 

Lusa/Ao online   Economia   16 de Jun de 2018, 10:50

O PCP/Açores considerou que a açucareira Sinaga "não pode servir para o negócio imobiliário", contestando a possibilidade de venda do "valioso património constituído pelos terrenos onde está implantada a fábrica" na cidade de Ponta Delgada.

“Mais uma vez, cabe perguntar: qual o futuro da Sinaga enquanto unidade de transformação? A venda dos terrenos de Ponta Delgada será o fim da Sinaga ou estará associada a esta operação a construção de uma nova fábrica?”, questionou o coordenador regional dos comunistas, Vitor Silva.

O dirigente do PCP/Açores falava, em declarações aos jornalistas, à porta da fábrica, na ilha de São Miguel, referindo que “a venda em lotes” deste património – “cerca de 50 mil metros quadrados envolvidos pela malha urbana - já é do domínio público”.

“Quando um administrador de uma empresa dá uma entrevista, acreditamos que está mandatado pelo acionista maioritário, o Governo Regional”, sustentou, manifestando-se preocupado com o futuro da Sinaga enquanto unidade de transformação.

No dia 06 de junho, a Antena 1 Açores divulgou uma entrevista em que o presidente do concelho de administração Paulo Neves, referia que a administração decidiu avançar com a venda dos terrenos e que iria ser preservado o núcleo histórico da fábrica.

O dirigente referiu que “a ideia de alienar os terrenos já vem de longe” e sustentou que “a decisão do Governo Regional de deixar morrer uma das raras agroindústrias açorianas é um autêntico crime económico e social”.

Vitor Silva lembrou que o PCP "sempre considerou que a única via para a Sinaga seria a sua reestruturação, não limitando a sua atividade apenas à produção do açúcar de beterraba, mas também à transformação de outros produtos".

Quanto à fábrica, Vitor Silva defendeu a transformação desta indústria centenária num museu, frisando que "até os próprios trabalhadores apresentaram um conjunto de soluções" que iam naquela linha.

"Temos uma empresa que está na zona central da cidade e que tinha todas as condições para receber turistas", defendeu Vitor Silva, para quem "em todo este processo existe um responsável, o Governo Regional".

O PCP/Açores entende ainda que neste processo da eventual venda dos terrenos onde está localizada a fábrica a Câmara Municipal de Ponta Delgada "tem o dever de pronunciar-se, esclarecendo o que sabe acerca desta operação".

"Existe algum acordo prévio com potenciais investidores/compradores? E tem a Câmara Municipal informação sobre os usos que se pretende dar aos terrenos? Está considerada a hipótese de alteração ao Plano Diretor Municipal e qual o quadro legal em que se suportam?", perguntou Vitor Silva.

Sobre o projeto para os terrenos da Sinaga, a Lusa contactou fonte da autarquia, que informou ter dado entrada "no dia 11 de junho o Pedido de Informação Prévia (PIP)".

"Está para análise técnica, sendo que a Câmara Municipal irá, oportunamente, ouvir as entidades competentes na matéria", acrescentou.

A Lusa tentou ainda obter informações junto da administração da Sinaga, mas não foi possível até ao momento.

O Governo dos Açores anunciou em outubro de 2017 a suspensão da atividade da açucareira Sinaga, empresa que possui um passivo de 26 milhões de euros.

Em janeiro deste ano o secretário regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, assegurou que o processo de transferência de quadros empresa estava “a correr bem", estando por resolver o futuro de "11 trabalhadores".

"Dos 44 trabalhadores que foram identificados, neste momento 30 já têm os contratos assinados e 22 já iniciaram funções, portanto os outros oito irão iniciar funções no início de fevereiro", o que se deve a "situações de férias", afirmou na altura o governante.

A grande maioria foi transferida para o matadouro da ilha de São Miguel, transitando os restantes para os Serviços de Desenvolvimento Agrário de São Miguel, parques florestais e laboratório de sanidade vegetal, entre outros.

A Sinaga é a única empresa transformadora de beterraba existente em Portugal.



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