Parceiros sociais continuam preocupados com o desemprego
21 de mai. de 2012, 15:47
— Lusa/AO Online
"O programa tem surtido os efeitos positivos que se esperavam, mas não estamos tranquilos porque o grau de seriedade do problema do desemprego contínua elevado", afirmou Mário Fortuna, da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, no final de uma reunião da Comissão Permanente do Conselho Regional da Concertação Estratégica.
A reunião, que decorreu em Ponta Delgada, serviu para analisar o impacto do programa apresentado pelo executivo açoriano no final de fevereiro, que prevê um reforço de 29 milhões de euros provenientes de verbas europeias e do orçamento regional para promover o emprego na região.
Para Mário Fortuna, "há razões para continuar alerta", frisando que setores como a construção civil e o turismo continuam a evidenciar "fragilidades profundas".
No mesmo sentido, Sofia Ribeiro, da UGT/Açores, salientou que os últimos meses foram produtivos "em termos de regulamentação e publicação de vários diplomas", mas salientou que "a preocupação mantém-se".
"São medidas positivas para a região, mas apenas de cariz conjuntural, pelo que não fazem ultrapassar o problema do desemprego no arquipélago", afirmou a dirigente sindical.
Por seu lado, Graça Silva, da CGTP/Açores, defendeu que a vigilância à aplicação das medidas do programa lançado pelo executivo "não pode ser descurada", apesar de as considerar "mais conjunturais do que estruturais".
"Achamos que as medidas e a rápida regulamentação são bastante positivas, mas estamos preocupados com o emprego que é criado, a sua fragilização e os salários aplicados", frisou.
O vice-presidente do Governo dos Açores fez um balanço positivo do programa até ao momento, salientando que as 24 medidas que integra estão em "plena execução".
"Os resultados da execução das 24 medidas refletem-se já nos indicadores do emprego que têm vindo a sair, mas particularmente nas perspetivas que temos de evolução do próprio mercado de trabalho e emprego na região", afirmou, destacando que os Açores são a única região do país onde o desemprego desceu de acordo com as mais recentes estatísticas.
Sérgio Ávila admitiu, no entanto, que "o momento não é para euforias", salientando que o executivo pretende monitorizar permanentemente a evolução das medidas e, com os parceiros sociais, recolher contributos para "fazer mais e melhor".