Papa agradece a coragem de quem denunciou abusos

Papa agradece a coragem de quem denunciou abusos

 

Lusa/AO Online   Internacional   2 de Abr de 2019, 12:01

O papa Francisco agradeceu “a valentia” de quem denunciou os abusos sexuais perpetrados pelo clero porque ajudou a Igreja a “tomar consciência do sucedido” e da necessidade de reagir com decisão”.

A posição do papa está expressa num documento publicado, esta terça-feiram, após o Sínodo sobre os jovens.

Na exortação pós-sinodal, publicada com o nome de “Christus vivit”, o papa recorda que muitos jovens se afastaram da Igreja ou a depreciam por “razões sérias e compreensíveis”, como os escândalos sexuais e económicos.

No capítulo intitulado “Pôr fim a todo o tipo de abusos”, recorda que o sofrimento das vítimas “ninguém pode curar”.

No mesmo documento, o papa diz que as mulheres têm “queixas legítimas” para exigir mais justiça e igualdade na Igreja Católica, mas não chega a endossar pedidos dos próprios bispos para dar às mulheres funções de decisão.

Francisco emitiu um documento inspirado por um encontro de bispos realizado em outubro do ano passado dedicado a melhorar o ministério dos jovens católicos.

O encontro foi marcado por exigências para melhorar os direitos das mulheres e o documento final dos bispos considerava a necessidade de as mulheres assumirem posições de responsabilidade e tomada de decisão na Igreja como “um dever de justiça”.

No longo documento “Cristo está vivo”, Francisco não retira esta conclusão. Diz apenas que uma igreja que ouve os jovens deve estar atenta “às legítimas queixas das mulheres” por igualdade e justiça e deve preparar melhor os homens e as mulheres com potencial de liderança.

“Uma igreja viva deve olhar para trás na história e encontrar boa parte de autoritarismo masculino, dominação, várias formas de escravatura, abuso e violência sexista”, escreveu Francisco.

“Com este olhar, pode apoiar o apelo para respeitar os direitos das mulheres e oferecer apoio convicto de uma maior reciprocidade entre homens e mulheres, mesmo não concordando com tudo o que propõem alguns grupos feministas”, lê-se no documento.


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