Painel quinhentista nos Açores classificado como bem de interesse público

Painel quinhentista nos Açores classificado como bem de interesse público

 

Lusa/AO Online   Cultura e Social   15 de Jan de 2019, 11:27

O Governo dos Açores classificou como bem móvel de interesse público o painel quinhentista "Lamentação sobre Cristo Morto", da Igreja Matriz de São Miguel Arcanjo, tida como "uma das obras-primas da pintura antiga" na região.

Numa nota enviada às redações, o executivo açoriano explica que este painel, em Vila Franca do Campo, é “uma das obras-primas da pintura antiga nos Açores e uma das excelentes peças do Maneirismo em Portugal, pelo que representa um valor cultural de importância regional e nacional, tanto ao nível de autoria, como de autenticidade e raridade”.

O painel é propriedade da Igreja Matriz de São Miguel Arcanjo, na freguesia de São Miguel, em Vila Franca do Campo, e a sua autoria é atribuída ao pintor português Diogo de Contreiras, que a terá realizado, provavelmente, entre 1550 e 1560.

Composto por oito tábuas de madeira de carvalho do Báltico (Quercus alba) e respetiva moldura original, o painel estende-se entre 1,97 metros de altura por 2,08 metros de largura e segue a técnica da pintura a óleo, cuja cena pintada representa, em primeiro plano, o corpo morto de Jesus, amparado nos ombros por sua mãe e por Maria Madalena, que lhe segura as pernas, junto de um vaso com perfumes.

Em 2008, "o painel encontrava-se muito danificado e sem visibilidade na capela colateral do lado da epístola", mas entre novembro de 2009 e dezembro de 2013 foi "alvo de extenso estudo histórico, técnico e científico e de profunda intervenção de conservação e restauro", de acordo com a direção regional da Cultura.

A mesma nota adianta que em 2014 o painel foi recolocado no templo, em nicho de pedra basáltica com arco ogival, na nave do lado da epístola.

A classificação, hoje publicada em Jornal Oficial, teve em conta "os critérios de classificação previstos na legislação, relativos ao caráter matricial do bem, ao génio do seu criador, ao valor estético, técnico ou material intrínseco do bem e à sua importância para a investigação histórica e científica”, sublinha a nota divulgada.

O painel 'Lamentação sobre Cristo Morto' é o único exemplar remanescente do retábulo-mor mandado executar em Lisboa na sequência da reconstrução da Igreja Paroquial de Vila Franca do Campo, após o trágico terramoto de 22 de outubro de 1522.

"O autor, Diogo de Contreiras, foi pioneiro na viragem estética que carateriza este período da pintura portuguesa, introduzindo uma maior dinamização teatral das composições e intensificando a espiritualização das cenas religiosas", lê-se na nota, acrescentando que o artista trabalhou "em Lisboa para as melhores clientelas do reino, sendo considerado um dos mais criativos pintores da época quinhentista e um dos iniciadores do Maneirismo em Portugal".


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