Julgamento de Débora Raposo

Ouvido antigo arguido de processo de burla na Caixa Geral de Depósitos


 

Lusa / AO online   Regional   19 de Nov de 2007, 16:15

O Tribunal de Vila Franca do Campo ouviu um antigo arguido de um processo de burla na Caixa Geral de Depósitos, no âmbito de um novo julgamento de uma mulher alegadamente envolvida neste caso, recentemente extraditada do Canadá.
Em causa está o julgamento de Débora Raposo, que foi extraditada para Portugal em Agosto e que está supostamente envolvida numa burla no balcão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de Vila Franca do Campo, ilha de São Miguel, um processo que já foi julgado em 2000.

Na segunda sessão do julgamento, o colectivo de juízes ouviu hoje Duarte Borges, um ex-gerente do balcão da instituição bancária, que tinha sido condenado a vários anos de prisão, em 2000.

Na altura, o Tribunal condenou sete dos nove acusados no processo de burla de vários milhões de euros ao balcão local da CGD, através de empréstimos ao abrigo de uma linha de crédito destinada a financiar a recria de novilhos.

No final de Outubro, o Tribunal de Vila Franca do Campo, nos Açores, começou a julgar Débora Raposo, 66 anos, que está em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada.

Na altura, a arguida explicou ao Tribunal a sua relação de cliente com a instituição bancária e os vários empréstimos que solicitou, mas negou qualquer envolvimento na burla.

Débora Raposo afirmou, mesmo, que se sentiu “chocada” com alguns elementos que constam da acusação e adiantou que os créditos solicitados estavam relacionados com dois colégios privados que abriu, mas que, depois, encerraram a actividade.

Na sessão desta segunda-feira, três antigos arguidos no primeiro processo recusaram prestar depoimento, tendo, apenas, Duarte Borges prestado explicações ao Tribunal.

O antigo bancário adiantou que os vários empréstimos solicitados por Débora Raposo ascenderam a “145 mil contos” (720 mil euros), mas que a arguida “nunca pagou um centavo” deste montante.

Duarte Borges disse, ainda, que concedeu os empréstimos a Débora Raposo porque a arguida se “rodeava de pessoas que credibilizavam o retorno do dinheiro”.

Um total de “145 mil contos foram canalizados para esta senhora”, assegurou o antigo arguido ao Tribunal, ao adiantar que alguns destes empréstimos se destinaram para o pagamento de juros e créditos em atraso.

A fraude por que foram condenados refere-se a operações realizadas entre 1994 e 1997 e o caso, que incluiu a realização de cerca de 30 audiências de julgamento, com audição de duas centenas de testemunhas, começou a ser julgado em Junho de 2000.

A próxima sessão do julgamento de Débora Raposo está agendada para 06 de Dezembro, no Tribunal de Vila Franca do Campo.

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