Os trabalhos de Papademos começam hoje


 

Lusa/AO Online   Internacional   11 de Nov de 2011, 07:21

O novo governo de unidade nacional grega toma hoje posse liderado por Lucas Papademos, o ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), que enfrenta trabalhos que lembram os de Hércules, outro herói grego.

Se o herói mitológico Hércules teve como função cumprir 12 trabalhos em castigo de um crime passado, e acabou por livrar a humanidade de diversos monstros, Papademos tem como principal tarefa dar uma primeira limpeza ao monstro da crise da dívida grega.

Entre os primeiros trabalhos de Papademos está também a pacificação do cenário político grego e tentar reduzir as diferenças entre os socialistas do PASOK e os conservadores do partido Nova Democracia (ND), para evitar que a Grécia caia na bancarrota.

O novo primeiro-ministro terá também de convencer a União Europeia a o Fundo Monetário Internacional a descongelar a sexta tranche – de oito mil milhões de euros - do primeiro resgate grego, que o país diz precisar até 15 de dezembro para pagar contas.

Papademos, antigo governador do Banco Central Grego, e com um papel crucial na entrada da Grécia na zona euro, há quase dez anos, é agora um dos poucos heróis políticos que quer a Europa quer os gregos respeitam.

O ex-vice do BCE beneficia do respeito internacional pela sua experiência no setor financeiro e, em Atenas, a bolsa subiu 2,69 por cento quando se soube do nome do novo primeiro-ministro, que governará até às eleições legislativas antecipadas, previstas para fevereiro de 2012.

O novo primeiro-ministro, que hoje toma posse às 12:00 horas de Lisboa (14:00 horas em Atenas), cumpriu logo na quinta-feira, mal o seu nome foi divulgado pela presidência grega, o seu primeiro trabalho – garantir que o futuro da Grécia é na moeda única.

“Estou convencido que a participação no euro é uma garantia de estabilidade monetária e um fator de estabilidade económica”, disse Papademos, em declarações aos jornalistas momentos depois do Presidente da República grega o ter confirmado como o sucessor do chefe do executivo cessante, Georges Papandreou, que abandonou o cargo a meio do mandato de quatro anos.

Papademos surgiu como novo primeiro-minisro depois de quatro dias de negociações entre os socialistas de Papandreou e a direita de Antonis Samaras, lídeo do ND, num processo político confuso que ameaçou fazer descarrilar o programa de resgate europeu à Grécia, que os líderes da zona euro aprovaram no passado mês.

O plano de salvamento da economia grega, aprovado em outubro pelos os 17 governos da zona euro e os bancos, atribui à Grécia um novo empréstimo, de 100 mil milhões de euros, reduz a dívida pública em 100 mil milhões e atribui ainda ao país mais 30 mil milhões de euros em garantias estatais.

Em troca, Atenas terá de tomar medidas de austeridade ainda mais fortes, depois de dois anos de tentativas de redução da despesa pública, que provocou a contestação nas ruas e, agora, fez cair o governo de George Papandreou.

Papademos tem agora como trabalho liderar o executivo grego na aplicação do acordo feito com os parceiros da moeda única e de convencer o resto da Europa que a Grécia é estável o suficiente para se manter no euro e preparar as próximas eleições.


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