Ordem dos Psicólogos deu parecer negativo ao programa 'Supernanny' em março de 201

Ordem dos Psicólogos deu parecer negativo ao programa 'Supernanny' em março de 201

 

Lusa/AO online   Nacional   15 de Jan de 2018, 15:47

A Ordem dos Psicólogos deu um parecer negativo, em março de 2016, a um pedido da produtora do programa ‘Supernanny’, por considerar que “a intervenção psicológica não deve ser associada a programas onde se exponham publicamente casos particulares”.

No parecer de cinco páginas “sobre a alegada prática da psicologia nos media”, a Comissão de Ética da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) afirma que “o espaço público mediático não pode ser considerado como um ‘setting’ adequado para a intervenção psicológica”.

O documento de cinco páginas, assinado pelo presidente da Comissão de Ética do OPP, Miguel Ricou, sublinha ainda que “qualquer profissional de psicologia que intervenha neste contexto deve explicitar que não está a levar a cabo qualquer tipo de intervenção psicológica”.

Contactado pela agência Lusa, Miguel Ricou afirmou que “não há nenhum modelo de intervenção psicológica que diga que a exposição mediática faz bem às pessoas, pelo contrário”.

O que o preocupa em programas como o ‘Supernanny, que a SIC começou a emitir no domingo e em que uma psicóloga clínica se desloca a casa de uma família para ajudar os pais a controlar a rebeldia dos filhos, é que possa ser confundido com intervenção psicológica.

Por outro lado, o caso suscita igualmente preocupação por “expor mediaticamente situações que não auguram coisas positivas para as crianças”, frisou.

“Se nós sabemos que pode haver processos para as crianças em que poderão ser mais estigmatizadas em função destas participações - e não antecipamos que isso seja positivo - fazê-las passar por isso do ponto de vista profissional não faz nenhum sentido”, defendeu.

Para Miguel Ricou, “não existe intervenção psicológica com exposição mediática”.

“A exposição pública não faz bem às pessoas e o psicólogo não expõe os seus clientes e isso para nós é que é fundamental”, defendeu.

“Como é que podemos garantir que a pessoa vai dizer tudo aquilo que é importante que ela diga quando sabe que o que vai dizer vai ser ouvido mediaticamente? Isto pode condicionar claramente aquilo que é a relação entre o psicólogo e o cliente”, frisou.

Por outro lado, existe a questão do “próprio consentimento”, disse, explicando que normalmente as pessoas estão vulneráveis, a precisar de ajuda, e mais facilmente aceitam participar num modelo com exposição mediática.

“Inevitavelmente este consentimento é obtido de uma forma um pouco difícil de garantir que é isso que a pessoa quer”, vincou Miguel Ricou.

A Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ) considerou hoje “existir um elevado risco” de o programa da SIC ‘Supernanny’ “violar os direitos das crianças”, nomeadamente o direito à reserva da vida privada.

“Numa primeira análise efetuada ao conteúdo do programa”, a comissão considera existir um “elevado risco” de este “violar os direitos das crianças, designadamente o direito à sua imagem, à reserva da sua vida privada e à sua intimidade”.

A Lusa contactou a SIC, mas ainda não obteve resposta.




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