Oposição diz que agricultura está sem estratégia e João Ponte desvaloriza

Oposição diz que agricultura está sem estratégia e João Ponte desvaloriza

 

Lusa/AO online   Regional   21 de Mar de 2018, 18:21

A maioria dos partidos da oposição na Assembleia Legislativa dos Açores acusou hoje o secretário regional da Agricultura, João Ponte, de não ter uma estratégia para o setor, com o governante a desvalorizar as críticas.

"Não precisamos de um secretário regional da Agricultura apenas para atribuir subsídios da União Europeia e tornar a agricultura cada vez mais dependente dos apoios que quer distribuir", criticou António Almeida, deputado do PSD, durante um debate de urgência, proposto pelos sociais-democratas, sobre o futuro do leite e dos laticínios nos Açores.

Se o objetivo do Governo Regional socialista é distribuir "charme e cortesia" pelas associações agrícolas regionais, ironizou, então mais valia que o executivo tivesse criado a "Secretaria da Simpatia". No seu entender, João Ponte apenas consegue "empurrar os problemas com a barriga para a frente".

Também Paulo Estêvão, do PPM, entende que o secretário regional da Agricultura não tem capacidade para liderar o setor, nem para tentar influenciar o Governo da República em relação à reforma da Política Agrícola Comum.

"A capacidade e a influência política de vossa excelência junto do poder nacional e dos órgãos nacionais da República são insignificantes", lamentou o parlamentar monárquico.

Graça Silveira, deputada do CDS, também entende que o executivo socialista não sabe bem o que quer para o futuro do setor agrícola regional.

"Não podemos ter um governo que às segundas, quartas e sextas quer um leite biológico, produzido em pastagens, e às terças e quintas subsidia a utilização de fertilizantes e aprova projetos de estabulação", apontou a deputada centrista.

Já João Paulo Corvelo, do PCP, entende que é preciso que os serviços agrícolas da região estejam mais próximos dos agricultores açorianos, apoiando-os nas suas tarefas.

"Desenvolver este setor implica medidas concretas que vão desde as definições das responsabilidades da manutenção dos caminhos de penetração à existência de técnicos que se desloquem ao terreno, in-loco, para avaliar e apoiar as situações e não apenas no necessário trabalho de gabinete", insistiu o parlamentar comunista.

O secretário regional da Agricultura não se mostrou preocupado com as críticas ao seu desempenho e socorreu-se das estatísticas recentes para mostrar que o setor está em crescimento na região.

"Entre setembro de 2016 e dezembro de 2017, o preço do leite pago à produção aumentou quatro cêntimos por litro", frisou João Ponte, acrescentando que, no mesmo período, o volume de negócios das indústrias de leite cresceu 4%, ao passo que se registou uma redução da transformação de leite de consumo e de leite em pó e a um aumento da produção de queijo.

O governante recordou que, "no limite das competências e dos recursos" públicos, o Governo lançou mão de mecanismos para "apoiar e impulsionar toda a fileira leite", através da aprovação de 230 projetos de modernização de explorações agrícolas, num investimento de cerca de 20 milhões de euros.

Apesar de realçar as melhorias que o setor agrícola tem registado na região, o deputado socialista António Toste Parreira admitiu que é necessário fazer mais, no sentido de se aumentar o rendimento dos agricultores açorianos.

"O nosso maior desafio será o preço do leite pago à produção. Os preços praticados não são aceitáveis e cabe a todos nós pugnar perante as instituições europeias, por soluções e medidas que correspondam aos anseios dos produtores", advertiu.

Já Zuraida Soares, do BE, preferiu destacar o que considera ser a "incoerência" dos maiores partidos com assento parlamentar (PS, PSD e CDS), referindo que dizem uma coisa na região, mas fazem o contrário em Lisboa, quando têm de defender os interesses dos Açores na Assembleia da República.

"Para debater seriamente o setor do leite no pós-2020, temos de começar por acabar com estas artimanhas, com estas malabarices, que só servem apara esconder a submissão a interesses estranhos à nossa região", apontou.



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