Venezuela

Oposição convoca greve-geral contra medidas económicas de Maduro

Oposição convoca greve-geral contra medidas económicas de Maduro

 

Lusa/Ao online   Internacional   19 de Ago de 2018, 03:02

A oposição venezuelana convocou uma greve-geral para 21 de agosto em protesto pela reconversão da moeda e contra as recentes medidas económicas anunciadas pelo Presidente Nicolás Maduro.

A greve-geral foi convocada no sábado pelos partidos da oposição Primeiro Justiça, Vontade Popular e Causa R.

"Convocamos, para terça-feira, 21 de agosto, um primeiro dia de protesto e de greve nacional, contra (Nicolás) Maduro, contra a hiperinflação e a fome", lia-se nas mensagens publicadas na rede social Twitter.

Entretanto, em comunicado, a mesma oposição referia que sexta-feira, dia em que o Presidente Nicolás Maduro anunciou várias medidas económicas e um aumento de 35 vezes do salário mínimo dos venezuelanos, "será recordado, na história, como o dia mais negro que os venezuelanos jamais tiveram".

"A ditadura, no seu afã infinito de destruição (...), depois de ter roubado centenas de milhares de milhões de dólares, anunciou a disposição criminosa de passar a saquear diretamente as algibeiras a um povo que já está a viver uma aguda pobreza e sob as calamidades da falta de serviços básicos, como água e luz elétrica", afirma o documento.

Para a oposição, o aumento do salário mínimo anunciado pelo chefe de Estado vai representar desemprego e a diminuição real do poder de compra dos trabalhadores, o que implicará "mais sofrimento e pobreza".

Por outro lado, denuncia que nos próximos dias muitas empresas vão encerrar as portas, deixando milhões de trabalhadores desempregados.

Na mesma nota, os opositores de Maduro sublinharam que o regime aumentou o IVA de 12% para 16%, enquanto isenta de pagamento de impostos as empresas que exploram os "bens naturais" do país.

A oposição pretende "ativar" a população para participar em vários propostas contra as medidas económicas, cujos pormenores vão ser divulgados nos próximos dias.

O Presidente da Venezuela anunciou o aumento do salário mínimo de 5.196.000 para 180.000.000 bolívares (de 1,14 euros para 39,50 euros), ou seja, 35 vezes superior ao que os venezuelanos recebem atualmente.

O novo salário mínimo dos venezuelanos, anunciado na sexta-feira à noite, equivale a 1.800,00 bolívares soberanos, a moeda que entrará em vigor a partir da segunda-feira 20 de agosto, data em que a reconversão eliminará cinco zeros do atual bolívar.

"O salário mínimo ficará [fixado] em meio petro (cripto moeda venezuelana), 18.00 bolívares soberanos", disse Nicolás Maduro durante uma intervenção televisiva a partir do palácio presidencial de Miraflores.

Na prática o salário aumenta 3.214%, ou seja, 35 vezes. Os preços dos produtos deixarão também de estar ancorados ao dólar, porque essa moeda deixará de ser uma referência no país e será substituída pelo virtual Petro.

"Esgotou-se o jogo do dólar paralelo e o mecanismo para fixar os preços com esse jogo. Nós vamos fixar os preços ancorados ao Petro", disse, vincando que a cripto moeda venezuelana se converterá numa unidade de intercâmbio económico nacional e internacional.

O aumento do salário faz parte do novo "Programa de Recuperação Económica, de Crescimento e Prosperidade" que, segundo o chefe de Estado, estará adaptado à realidade venezuelana e poderá reverter os efeitos da guerra económica nacional e internacional.

"O Governo dos Estados Unidos vem fazendo a guerra em distintas modalidades para evitar que a República possa fazer as suas compras internacionais, para conseguir a asfixia internacional", disse Nicolás Maduro, admitindo que os EUA têm conseguido "causar danos".

Como parte das novas medidas, o IVA passará de 12% para 16% e as grandes transações financeiras passarão a pagar entre 0 e 2% de imposto sobre o valor das mesmas.

Por outro lado o Governo venezuelano assumirá, durante 90 dias, o pagamento da diferença do novo salário das indústrias médias e pequenas do país.



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