Novo arcebispo de Évora defende papa Francisco na "renovação da Igreja"


 

Lusa/Ao online   Internacional   2 de Set de 2018, 23:59

O novo arcebispo de Évora manifestou hoje "comunhão" com o papa Francisco na "renovação da Igreja", numa altura em que a atualidade está a ser dominada pelo escândalo de abusos sexuais perpetrados por prelados.

Na homilia da celebração da sua entrada solene na arquidiocese de Évora, Francisco Senra Coelho rejeitou o "legalismo religioso” que “deturpa e caricatura a verdadeira relação com a beleza de Deus" e criticou "atitudes fundamentalistas" que aconteceram "na história e na atualidade" da Igreja.

"O legalismo religioso deturpa e caricatura a verdadeira relação com a beleza de Deus. No seu entendimento, cumpridas todas as regras e prescrições, Deus seria apenas chamado para apreciar e testemunhar o nosso esforço e para nos atribuir o prémio que reclamamos. Este orgulho leva à soberba da autossuficiência, da autocontemplação e da autossalvação", afirmou.

O arcebispo de Évora afirmou-se chamado a cultivar a proximidade com as periferias, "a acolher, consolar, cuidar e integrar nas comunidades os que chegam feridos” pela "desumanidade do mundo".

Francisco Senra Coelho lamentou "atitudes fundamentalistas, soberbas, hipócritas e até violentas" reconhecidas "na história e na atualidade".

O arcebispo pediu ainda que a Igreja, “de mãos dadas pela paz, tolerância e no respeito”, saiba “construir a casa comum”, num compromisso com uma “cultura ecológica global” de forma a “olhar o futuro com esperança”.

Hoje, na missa dominical no Recinto de Oração, em Fátima, o cardeal de Leiria-Fátima, António Marto, pediu "profunda comunhão" com o papa Francisco devido ao "ataque ignóbil e organizado" de que está a ser vítima.

António Marto afirmou que a Igreja está "a viver um momento muito doloroso por causa dos escândalos de abusos, em particular nos Estados Unidos e na Irlanda" e sublinhou que se assiste "a um ataque ignóbil e organizado contra o santo padre".

Na quarta-feira, António Marto foi o primeiro bispo português a referir-se ao momento que a Igreja vive, numa entrevista ao jornal Observador.

O bispo considerou que a divulgação da carta do antigo embaixador do Vaticano nos Estados Unidos, que alega que o papa sabia há cinco anos de acusações de abusos sexuais relativas a um cardeal norte-americano, faz parte de “uma campanha organizada pelos ultraconservadores para ferirem de morte” o líder da igreja católica.

O cardeal disse que os crimes de pedofilia, “uma catástrofe de ordem espiritual, moral e pastoral” praticados por padres católicos, que têm sido divulgados nos últimos anos, e que ganharam dimensão nas últimas semanas, deixaram os membros da Igreja Católica “profundamente chocados” e suscitaram um “sentimento de grande humilhação” na Igreja.

No sábado, o cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, pediu "comunhão profunda e orante com o santo padre, que, com tanta coragem e lucidez, guia a Igreja neste momento de purificação espiritual e prática".

"Estamos com o papa Francisco, como ele está com Cristo e o Evangelho", escreveu Manuel Clemente, na habitual carta aos diocesanos de Lisboa, por ocasião do ano pastoral de 2018-2019.

Na sexta-feira, o bispo de Aveiro, António Moiteiro, lamentou a "campanha que tem sido orquestrada contra o papa Francisco", a propósito dos casos de abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica, segundo uma nota divulgada pela agência Ecclesia.

Segundo um comunicado enviado por António Moiteiro à Ecclesia, o bispo de Aveiro e atual presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, lembra "o esforço que o papa Francisco tem vindo a fazer para tornar a Igreja mais evangélica, em diálogo com o mundo atual e na resposta a problemas novos", pelo que, acrescenta, merece todo o apoio "como povo de Deus em terras de Aveiro".

A questão dos abusos sexuais foi um dos temas marcantes da recente visita do papa à Irlanda, onde Francisco expressou uma mensagem de vergonha e tristeza por este caso que está a abalar a Igreja.

Na sequência dessa visita, o arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos Estados Unidos, publicou uma carta a acusar Francisco de também não ter sido célere na denúncia e resolução dos casos de pedofilia.



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