NATO trava escalada da tensão com Paquistão

NATO trava escalada da tensão com Paquistão

 

Lusa/AO Online   Internacional   3 de Dez de 2008, 14:54

A NATO exigiu hoje que Islamabad trave a escalada de tensão com a Índia resultante dos atentados em Bombaim, oeste, alegadamente perpetrados por paquistaneses, para se concentrar no combate ao terrorismo nas regiões tribais fronteiriças com o Afeganistão.

   “Esperamos que prossiga a luta no noroeste do país contra os extremistas” que apoiam os talibãs, responsáveis pela violência crescente no Afeganistão, declarou aos jornalistas o secretário-geral da Aliança Atlântica (NATO), Jaap de Hoop Scheffer, após uma reunião de dois dias com os chefes das diplomacias dos 26.

    Scheffer acentuou não ter recebido das autoridades paquistanesas qualquer informação que confirme o desvio de meios militares das regiões tribais para um eventual conflito aberto com a Índia.

    Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 26 afirmaram por seu turno plena disponibilidade para “incrementar a cooperação militar” com Islamabad, através da Força Internacional para a Assistência à Segurança (ISAF) no Afeganistão, com 51.000 efectivos.

    O chefe do Foreign Office, David Miliband, insistiu a semana passada no incremento da cooperação política, económica e militar com o Paquistão, tendo por alvo os terroristas entrincheirados nas regiões tribais do noroeste e no Caxemira.

    Nova Deli acusa dos atentados numa dezena de locais de Bombaim um grupo terrorista paquistanês com base no Caxemira, responsável pela morte de mais de 170 pessoas.

    “As ameaças ao Paquistão não vêm da Índia, mas do interior do próprio país, sendo portanto imperioso não só apertar a segurança, mas também melhorar a situação política e económica”, salientou Maliband.

    O Paquistão, à beira do colapso financeiro, pediu 3.100 milhões de dólares (cerca de 2.500 milhões de euros) ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e precisa de mais 7.600 milhões de dólares (6.000 milhões de euros) para sair do atoleiro em que se encontra.

    A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, deixou Bruxelas na terça-feira a caminho de Nova Deli, para tomar o pulso à escalada da tensão com Islamabad.

    Peritos aliados estabeleceram uma relação entre a espiral de violência no Afeganistão - causa de cerca de 6.000 mortos este ano, na maioria islamitas - e o vazio de poder nas regiões tribais no noroeste do Paquistão, santuário dos talibãs.

    Os 26 anuíram no reforço da ISAF durante as eleições presidenciais e legislativas de 2009, e Scheffer adiantou que reforços militares e civis são esperados depois da posse do novo presidente norte-americano, Barack Obama, a 20 de Janeiro.

    A administração de George W.Bush deu “luz verde” ao envio de 3.500 fuzileiros antes do fim do ano e de 5.000 soldados em Janeiro de 2009.

    Nos próximos 12 a 18 meses deverão seguir para o Afeganistão outras três brigadas de combate norte-americanas, bem como helicópteros de apoio.

    A Espanha, Itália e Alemanha estão confrontadas com pedidos para destacarem mais tropas para as perigosas áreas do sul e leste do Afeganistão.

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