Ministro do Trabalho diz que políticas públicas foram insuficientes para travar queda da natalidade

Ministro do Trabalho diz que políticas públicas foram insuficientes para travar queda da natalidade

 

AO Online/ Lusa   Nacional   8 de Set de 2018, 10:00

O Ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, disse esta sexta feira que as políticas públicas não foram suficientes para travar a queda da natalidade e criticou a cultura dominante de "quem sai à hora é mau trabalhador".

"Na generalidade das empresas, o trabalhador bem apreciado é o que fica para lá da hora. Há essa cultura dominante de que quem sai à hora é mau trabalhador. Essa é uma questão de cultura e não de leis", acrescentou.

Na sessão de encerramento da Conferência "Desafios Demográficos: A Natalidade" organizada pelo Conselho Económico e Social (CES) no Porto, Vieira da silva, sublinhou que a questão do emprego é crítica e defendeu que esta é uma responsabilidade coletiva que tem na dimensão da concertação social uma área crítica.

O Ministro do Trabalho diz que a razão que justifica a criação de uma estratégia prende-se precisamente com o paradigma "entre o que as famílias querem ser e o que são", e apontou quais devem ser as cinco prioridades para as políticas públicas nas próximas décadas.

No topo das prioridades elencadas por Vieira da Silva está a estabilização das relações laborais, sublinhando que num quadro de criação de emprego como o que se vive atualmente, essa estabilização, assim como a diminuição da precariedade são fatores decisivos para políticas mais eficazes.

O governante destacou ainda a necessidade de valorizar a cultura da igualdade e de partilha de responsabilidades parentais lembrando que Portugal passou de 1% para 37% de homens que partilham as licenças de parentalidade.

Na conferência, onde também participou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, Vieira da Silva deixou claro que os investimentos nesta área devem ser muito "focados e seletivos", sobretudo em zonas de desequilíbrios mais intensos, como é o caso das áreas metropolitanas do Porto e Lisboa, onde a taxa de cobertura é substancialmente mais reduzida.

Os apoios à primeira infância que, segundo aquele governante, podem influenciar a decisão de ter ou não mais filhos e a abertura à imigração com uma política de atração de estrangeiros que permita corrigir a tendência de queda da natalidade, foram outras das prioridades elencadas por Vieira da Silva que destacou a importância do apoio dos parceiros sociais na mudança de paradigma laboral.

"É um debate muito difícil com os parceiros sociais, não em Portugal, na Europa. Os parceiros sociais não conseguiram chegar a acordo, a última das quais sobre a conciliação da vida familiar com a profissional", referiu.

O Ministro do Trabalho lembrou ainda que a quebra da natalidade só pode ser reduzida com políticas de conciliação laboral e políticas de rendimentos que ajudem a substituir o papel da "velha família" por uma intervenção social organizada, nomeadamente com uma rede de equipamentos sociais".

Segundo o estudo elaborado pelo Laboratório de Demografia da Universidade de Évora apresentado hoje no Porto, Portugal perdeu entre 13 mil a 19 mil nascimentos com a emigração verificada no país, entre 2011 e 2015, altura em que o país esteve sob assistência financeira.



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